A influenciadora fitness Gracyanne Barbosa, 42, voltou a usar as redes sociais para falar sobre as mudanças na região íntima causadas pelo percentual de gordura baixo.  O assunto abriu espaço para discussão sobre os impactos do emagrecimento intenso e da definição corporal na saúde íntima feminina.

À CNN, a médica ginecologista Laura Gusman, explicou que a perda de gordura corporal realmente pode alterar a aparência, a firmeza e até o funcionamento da região íntima.

“A vulva e os grandes lábios possuem tecido adiposo que ajuda a sustentar, proteger e dar volume à região. Quando essa gordura diminui de forma significativa, muitas mulheres percebem uma aparência mais ‘murcha’, perda de sustentação, maior flacidez e até alteração da textura da pele local”, ressaltou.

 

Segundo a especialista, esse quadro tem se tornado mais frequente não apenas entre atletas e mulheres com rotina intensa de exercícios, mas em pacientes que passaram por emagrecimento acelerado.

“Vemos isso acontecer em mulheres muito ativas fisicamente, com percentual de gordura bastante reduzido, especialmente praticantes de exercícios de alta intensidade. Além disso, com o aumento do uso das chamadas ‘canetas emagrecedoras’, muitas pacientes passaram a apresentar emagrecimento rápido e importante em pouco tempo — e a região íntima acaba acompanhando essa perda de volume corporal.”

O processo, de acordo com Laura, envolve alterações estruturais e hormonais. Isso porque a gordura funciona como uma espécie de sustentação natural para a pele e os tecidos do corpo, inclusive da região íntima.

“Quando ocorre uma perda importante ou muito rápida dessa gordura, os tecidos perdem parte dessa base de sustentação, levando a um aspecto mais ‘esvaziado’ ou murcho e a pele nem sempre consegue se retrair na mesma velocidade em que o volume corporal diminui”, disse a médica.

“Em situações de dietas muito restritivas, percentual de gordura muito baixo ou perda de peso intensa, o organismo pode interpretar esse cenário como um estado de escassez energética, reduzindo a produção de hormônios que são fundamentais para a saúde da pele, da mucosa íntima e da sustentação tecidual”, acrescentou.

Embora não exista um percentual de gordura considerado ideal, a médica explica que há limites fisiológicos importantes para o corpo feminino. “Em geral, fala-se em torno de 10% a 13% de gordura corporal como o limite biológico mínimo necessário para manutenção das funções hormonais, saúde reprodutiva, absorção de vitaminas e equilíbrio metabólico”, afirmou.Abaixo disso o corpo pode entrar em um mecanismo de economia de energia, impactando diretamente o ciclo menstrual, a fertilidade e a saúde íntima.

As mudanças, porém, vão além da estética. A ginecologista alertou ainda que a perda de volume na região íntima pode causar desconfortos físicos e afetar a qualidade de vida.

“Quando existe perda importante de gordura e volume na região íntima, especialmente nos grandes lábios, ocorre também redução da proteção natural dos tecidos mais delicados da vulva e da entrada vaginal. Isso pode aumentar o atrito local e gerar desconforto, sensibilidade aumentada e até dor em algumas atividades, como pedalar, praticar exercícios ou durante a relação sexual.”

Além disso, alterações hormonais associadas ao emagrecimento extremo também podem impactar lubrificação, elasticidade e sensibilidade da região íntima.

“O estrogênio tem papel fundamental na hidratação, vascularização, espessura e elasticidade dos tecidos íntimos. Quando há queda hormonal — seja por menopausa, exercício excessivo, emagrecimento extremo ou baixa disponibilidade energética — a mulher pode perceber mais ressecamento, perda de elasticidade e desconforto nas relações.”

A flacidez íntima é multifatorial e pode estar ligada também ao envelhecimento, menopausa, gestação, parto vaginal, tabagismo e oscilações de peso, contou a profissional. “A redução progressiva de colágeno ao longo dos anos também influencia bastante a sustentação e a qualidade da pele da região íntima”, explicou.

Hoje, segundo a especialista, já existem tratamentos voltados para melhorar a firmeza, hidratação e sustentação da região íntima. “

Dependendo do caso, podem ser utilizados tratamentos como laser íntimo, radiofrequência, bioestimuladores de colágeno, skinboosters, preenchimento íntimo e abordagens regenerativas voltadas para melhora da qualidade tecidual e sustentação local.”



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