A Operação Caminhos Seguros 2026 do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública), que combateu a exploração sexual de crianças e adolescentes, foi encerrada nesta quinta-feira (21) como uma das maiores mobilizações de proteção a menores já realizadas no Brasil.
Segundo o ministério, a operação foi deflagrada em todos os 27 estados, reunindo 44.568 policiais em 15.129 viaturas ao longo da ação que passou por 3.637 municípios brasileiros.
O principal objetivo da ação foi realizar fiscalizações, ações preventivas, cumprimento de mandados judiciais e atividades educativas.
A pasta informou que, ao todo, foram efetuadas 1.674 prisões, sendo 844 em flagrante e 830 por mandados judiciais.
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“A Operação Caminhos Seguros demonstra que proteger crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva e contínua. Tivemos uma ampla mobilização nacional, com integração entre forças de segurança e ações preventivas, repressivas e de acolhimento às vítimas”, afirma o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.
Também foram cumpridos 427 mandados de busca e apreensão, apreendendo 798 objetos relacionados à exploração sexual.
O órgão também destaca que foram feitos atendimentos à 6.865 vítimas e abertura de 1.815 medidas protetivas. Nesse período, 4.650 denúncias foram acolhidas pelos agentes e ainda foram apuradas 4.293 ocorrências.
Além disso, a ação fez 9.361 ações educativas, visitando 14.637 escolas por todo o país.
Tecnologia facilita abuso de crianças, diz Unicef
Um estudo inédito revela que uma a cada cinco crianças ou adolescentes foi vítima de exploração e/ou abuso sexual facilitados pela tecnologia no Brasil. Isso representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas de violência sexual online.
O dado faz parte do relatório “Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia“, lançado nesta quarta-feira (4) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em parceria com a ECPAT International e a Interpol, com financiamento da Safe Online.
A pesquisa reúne evidências sobre como essas violências são facilitadas por ferramentas digitais como redes sociais, jogos online, plataformas de mensagem e outras, apontando riscos, padrões e desafios para a prevenção e o enfrentamento do crime.
A exposição a conteúdo sexual não solicitado aparece como a forma mais comum de violência, atingindo 14% das crianças e adolescentes entrevistados. Em quase metade dos casos (49%), a exploração e/ou o abuso foram cometidos por alguém conhecido da vítima. E muitas crianças e adolescentes não tiveram coragem de pedir ajuda – 34% não contaram para ninguém.