O mercado global de cacau atravessa um período de forte volatilidade, influenciado principalmente por fatores climáticos e pela dinâmica de oferta e demanda. Nos últimos dias, os contratos futuros da commodity chegaram a subir mais de 7% em Nova York, refletindo preocupações com a produção mundial e a disponibilidade do produto.

Ao mesmo tempo, o setor começa a entrar em um novo ciclo com superávit. Após anos de escassez e preços recordes, a produção global dá sinais de recuperação e deve gerar um superávit na safra 2025/26. Ainda assim, esse cenário pode não se sustentar por muito tempo.

Segundo análises de mercado, o excedente global, estimado em cerca de 247 mil toneladas, pode cair para aproximadamente 149 mil toneladas no ciclo seguinte. A principal ameaça é climática: a possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño, que tende a afetar regiões-chave como a África Ocidental, responsável pela maior parte da produção mundial.

Historicamente, o El Niño reduz a produção global de cacau, com impactos que variam entre regiões, incluindo risco de seca na África e estresse hídrico no Brasil.

Apesar da recuperação recente, o mercado ainda opera sob incerteza. A demanda global, medida pela moagem de cacau, segue fraca, embora apresente sinais de estabilização.

Sinais duplos no Brasil

No Brasil, os efeitos desse cenário são duplos. Por um lado, há espaço para crescimento. A produção nacional avançou mais de 60% no primeiro trimestre de 2026, indicando uma retomada após perdas recentes.

Por outro, os desafios permanecem no campo. “A agricultura é uma indústria a céu aberto. Você pode fazer tudo certo e perder por causa do clima”, afirma o empresário rural Mário Augusto Nascimento Ribeiro.

Além do clima, o aumento da produção depende de investimento e manejo técnico. Segundo especialistas, práticas como adubação, poda e análise de solo podem elevar significativamente a produtividade.

“O grande desafio hoje é aumentar a produção. O Brasil ainda não produz cacau suficiente para abastecer o mercado interno”, explica Igor Mota, gerente de agricultura.

Para entender esse cenário na prática, a equipe da CNN acompanhou diferentes etapas da cadeia produtiva, a convite da Nestlé. A reportagem esteve em São Francisco do Conde, na Bahia, uma das principais regiões produtoras do país, e também em Extrema, em Minas Gerais, onde o cacau é transformado em chocolate.

No campo, o foco está em produtividade e adaptação às condições climáticas. Sistemas de cultivo que mantêm parte da vegetação nativa buscam equilibrar produção e preservação ambiental. Já na indústria, o processo envolve etapas como torra, moagem e conchagem, além de fases manuais na finalização.

Com um mercado mais competitivo e sujeito a oscilações, cresce também a preocupação com diferenciação. Além do preço, fatores como origem, práticas de produção e rastreabilidade passam a influenciar decisões de compra.

Nesse contexto, a Kopenhagen lançou a plataforma K.O.P. (Kopenhagen de Origem Protegida). A ferramenta reúne informações sobre a origem do cacau, práticas agrícolas e etapas de produção, acessíveis ao consumidor por meio de um ambiente digital e de um selo nas embalagens.

A iniciativa reflete uma mudança mais ampla no setor: em um mercado impactado por clima, oferta e preço, a transparência sobre a cadeia produtiva passa a ser parte da estratégia e também da relação com o consumidor.



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