
O petróleo registra forte queda nesta sexta-feira, 6, após sinais de avanço nas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã elevarem a expectativa de um possível encerramento do conflito no Oriente Médio e de retomada gradual dos fluxos energéticos na região.
Na manhã desta sexta, o barril do Brent recuava 10,95%, cotado a US$ 97,01, atingindo o menor nível em quase duas semanas. O movimento amplia para quase 15% as perdas acumuladas em apenas dois dias, em uma reversão expressiva de parte do prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços desde o início da guerra.
Segundo reportagem do Axios, Washington acredita estar próximo de fechar um memorando de entendimento com Teerã para encerrar o conflito. Uma fonte paquistanesa diretamente envolvida na mediação confirmou, segundo a publicação, que o desfecho das negociações estaria próximo.
De acordo com as informações preliminares, o memorando em discussão teria 14 pontos centrais, incluindo compromisso iraniano de moratória no enriquecimento de urânio, remoção de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, liberação de recursos iranianos congelados em dólares e reabertura gradual do Estreito de Ormuz por ambas as partes.
“O documento declararia o fim da guerra e iniciaria um período de 30 dias de negociações para um acordo detalhado sobre o estreito, o programa nuclear iraniano e as sanções”, destaca Cordeiro.
A possível reabertura de Ormuz é vista pelo mercado como elemento central, uma vez que a região representa corredor estratégico para parte significativa do comércio global de petróleo, derivados e fertilizantes.
Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump anunciou a suspensão da chamada Operação Liberdade, citando “grande progresso” nas negociações, embora sem divulgar oficialmente detalhes do possível acordo.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araqchi, durante visita à China, não confirmou publicamente os termos em discussão, mas reiterou que Teerã busca um entendimento “justo e abrangente”.
“Vale notar, ao mesmo tempo, que nada foi assinado, com o mercado precificando uma probabilidade crescente de encerramento do conflito e a retomada gradual das exportações de petróleo e derivados pelo Golfo Pérsico”, ressalta o analista.
Segundo a Axios, o governo iraniano teria prazo de 48 horas para avaliar formalmente a proposta americana e apresentar resposta definitiva.
“O mercado deve seguir precificando ao longo do dia os sinais de um acordo definitivo entre Washington e Teerã, com os futuros respondendo a essa possível retomada dos fluxos de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz”, afirma Cordeiro.
Para os investidores, os próximos dias tendem a ser decisivos para o comportamento das commodities energéticas globais. Caso a resposta seja positiva e o documento assinado, a tendência é de queda adicional nos preços ao longo dos próximos dias.
Por outro lado, a StoneX alerta que eventual colapso das negociações ou surgimento de novas exigências iranianas pode reverter rapidamente o atual movimento de baixa.
“Caso as negociações colapsem ou novas condições iranianas travem o acordo, o viés altista deve retornar com intensidade, dado que os fundamentos do mercado físico seguem deteriorados, com amplo déficit de commodities energéticas na Ásia e na Europa”, conclui Cordeiro.