Flávio Dino resolveu usar uma imagem forte para descrever o que todos veem, mas poucos têm coragem de enfrentar: Brasília virou o palco de um desfile interminável de “elefantes pintados de azul”.

A metáfora é perfeita para o absurdo que, de tão grande e berrante, torna-se invisível, muitas vezes por conveniência. Dino, que circula pelos corredores do poder desde 1999, diz nunca ter visto tamanha quantidade de disparates desfilando pela Esplanada sob o olhar complacente de quem deveria estar vigiando.

A análise de bastidor dá nome aos bois – ou melhor, aos elefantes. O maior deles atende pelo nome de Caso Master, que explodiu em um dos maiores escândalos financeiros da nossa história. É o elefante azul que muitos sabiam que estava lá.

E a manada não para por aí. Temos as emendas parlamentares sem transparência, ministros do TST ganhando para “ensinar” advogados a atuar nos tribunais onde eles mesmos julgam, o Congresso tentando atuar como revisor das decisões do Supremo, entre outros.

A oposição acredita que esse desfile de absurdos será o carrasco de Lula nas urnas de outubro. Fica a pergunta no ar: será que o eleitor, no dia de depositar o voto, estará olhando para os elefantes do Poder? Em Brasília, a manada azul continua passeando livremente, e o silêncio de quem finge não ver é o que permite que o absurdo continue desfilando na nossa frente.



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