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O rei Charles III fará uma visita de Estado aos Estados Unidos no fim de abril, anunciou o Palácio de Buckingham nesta terça-feira, 31. A viagem ocorre em meio às tensões diplomáticas entre Londres e Washington e é vista como uma tentativa de reaproximação com o presidente americano, Donald Trump.
A viagem do monarca, que estará acompanhado da rainha Camilla, marca os 250 anos da independência dos EUA e deve “celebrar os laços históricos e as atuais relações bilaterais” entre os dois países.
Será a primeira visita de Estado de um monarca britânico aos Estados Unidos desde 2007, quando Rainha Elizabeth II realizou sua última viagem oficial ao país. Após a passagem pelos EUA, o casal real seguirá para as Bermudas, na primeira visita de Charles a um território britânico ultramarino desde sua coroação, em setembro de 2022.
Relação abalada
No início de março, Trump afirmou que é “triste” ver a relação histórica entre o Reino Unido e os EUA se deteriorar, depois que o governo britânico não permitiu que Washington usasse bases aéreas britânicas para realizar ataques contra o Irã em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.
“Era a relação mais sólida de todas. E agora temos relações muito fortes com outros países da Europa”, afirmou o presidente dos EUA, acrescentando que o laço com o Reino Unido “não é mais como antes”.
Embora as forças americanas tenham sido posteriormente autorizadas a utilizar bases britânicas para realizar o que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, chamou de ataques defensivos, Trump criticou repetidamente o líder britânico, dizendo que ele “não era Winston Churchill” e que havia arruinado a aliança historicamente próxima.
Nesta terça-feira, o republicano voltou a mencionar o Reino Unido ao afirmar que os países que não estão conseguindo comprar combustível devem “criar coragem para ir até o estreito e simplesmente tomá-lo”.
“Todos aqueles países que não podem obter combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão para vocês: Número 1, compre dos Estados Unidos, temos muito, e Número 2, criem alguma coragem atrasada, vão para o Estreito e simplesmente PEGUEM”, escreveu Trump em um post na sua rede, a Truth Social.
Críticas à visita do rei
A viagem do rei Charles III aos EUA não é apoiada por quase metade dos britânicos (49%), de acordo com uma pesquisa da YouGov divulgada na última quinta-feira.
O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, também se opôs à visita de Estado, argumentando que esta honra “não deveria ser concedida a alguém que insulta e prejudica” o Reino Unido “repetidamente”.
A presidente da comissão parlamentar de relações exteriores, Emily Thornberry, está entre aqueles que defenderam um adiamento enquanto a guerra continua.
Alguns deputados expressaram preocupações sobre o risco de constrangimento ao rei caso o presidente dos Estados Unidos mantenha críticas às Forças Armadas britânicas antes ou durante a visita oficial, segundo fontes ouvidas pelo jornal britânico The Guardian.