O jejum intermitente é bastante popular entre os que procuram estratégias para perder peso e melhorar a saúde metabólica. Mas uma nova revisão de 28 estudos sugere que a prática pode exigir cuidados extras à medida que a idade avança.

Publicado no dia 3 de junho na revista Nutrients, o estudo concluiu que o método ajuda a reduzir o peso e o índice de massa corporal (IMC), mas também pode levar à perda de massa livre de gordura, que inclui os músculos. 

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Ningxia, na China, e reuniu dados de ensaios clínicos randomizados envolvendo 1.833 participantes. O objetivo foi entender como diferentes faixas respondem ao jejum intermitente.

Os pesquisadores dividiram os voluntários em três grupos: menos de 30 anos, pessoas de 30 a 44 anos e adultos de 45 anos ou mais. Embora a análise não tenha sido feita exclusivamente com idosos, os resultados ajudam a compreender os possíveis impactos das estratégias em pessoas mais velhas.

De forma geral, o jejum intermitente esteve associado à redução do peso corporal e do IMC em todas as faixas etárias avaliadas. Nos adultos mais jovens, os pesquisadores também observaram diminuição da gordura corporal e melhora de marcadores relacionados à ação da insulina.

Ao analisar os dados com mais profundidade, os cientistas identificaram um ponto de atenção: parte da perda de peso pode ocorrer às custas da massa livre de gordura, que engloba músculos, água corporal e outros tecidos. Segundo os autores, a redução desse componente foi observada tanto em participantes mais jovens quanto nos grupos de maior idade. 

Por que a perda muscular é uma preocupação?

A descoberta serve para entender porque o envelhecimento já está naturalmente associado à diminuição da massa muscular, processo conhecido como sarcopenia.

Com menos músculos, aumentam os riscos de fraqueza, dificuldades para realizar tarefas cotidianas, perda de mobilidade e quedas. Por isso, os especialistas costumam recomendar que estratégias de emagrecimento em pessoas mais velhas sejam planejadas de forma a preservar a musculatura.

Os autores destacam que o jejum intermitente não deve ser encarado como uma solução universal. As respostas ao método podem variar de acordo com a idade, o estado de saúde e a composição corporal de cada indivíduo.

Benefícios e limitações

Além da perda de peso, os pesquisadores observaram melhorias em alguns marcadores cardiometabólicos. Entre os participantes mais velhos, houve redução dos triglicerídeos, da pressão arterial sistólica e melhora da sensibilidade à insulina.

Por outro lado, a revisão também identificou níveis mais baixos de colesterol LDL em parte das análises, indicando a importância do acompanhamento médico durante a adoção da estratégia alimentar.

Os próprios autores ressaltam que a qualidade das evidências variou entre baixa e muito baixa para alguns desfechos avaliados. Isso significa que novas pesquisas poderão confirmar ou modificar parte das conclusões observadas até o momento.

O que fazer antes de iniciar o jejum

Os resultados não indicaram que adultos mais velhos devam evitar o jejum intermitente, mas sugerem que a prática seja adotada com cautela. Para quem deseja utilizar a estratégia após os 60 anos, especialistas costumam recomendar acompanhamento profissional, ingestão adequada de proteínas e a realização de exercícios de força, como a musculação, que ajudam a preservar a massa muscular durante o emagrecimento.

O estudo reforça que perder peso nem sempre significa perder apenas gordura. Em pessoas mais velhas, preservar músculos pode ser tão importante quanto reduzir os números na balança.



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