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A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de consumidores, seja para produzir textos, fazer pesquisas ou organizar tarefas do dia a dia. Dentro das empresas, porém, o uso da tecnologia está entrando em uma nova fase. Mais do que uma ferramenta de produtividade individual, a IA passou a ser incorporada aos processos de negócio, conectando informações, automatizando decisões e apoiando equipes em tempo real. O movimento marca uma diferença importante: enquanto o consumidor utiliza a inteligência artificial para resolver demandas pontuais, as companhias buscam transformar a tecnologia em um ativo estratégico.
Inteligência artificial avança nas operações
Segundo o CEO da UMov.me, Alexandre Trevisan, a inteligência artificial está deixando os escritórios e chegando à linha de frente das operações. A tecnologia passa a acompanhar vendedores, técnicos, profissionais de campo e equipes de atendimento, oferecendo informações contextualizadas no momento em que o trabalho acontece. “Esses conceitos, esses contextos estão sendo feitos com o uso de inteligência artificial que apoiam essa execução, que enxergam tudo o que está acontecendo e entregam a melhor capacidade e os melhores resultados para esses trabalhadores”, afirmou.
Do uso individual da IA ao uso coletivo
O avanço da IA dentro das empresas acontece em diferentes camadas. O primeiro estágio é o uso individual, por meio de plataformas conhecidas do público. Em seguida, a tecnologia passa a automatizar tarefas, integrar sistemas e organizar fluxos de trabalho. O estágio mais avançado ocorre quando a inteligência artificial consegue compreender o contexto completo da organização, ajudando a monitorar processos, identificar gargalos e até sugerir melhorias operacionais. “Tu passa a ter uma inteligência artificial que penetra na companhia como um todo, tem todo o contexto do que acontece dentro dessa empresa e ajuda ela a performar cada vez melhor”, explicou Trevisan.
Controle e proteção dos dados
Esse avanço, porém, traz novos desafios. Quanto mais a tecnologia acessa dados corporativos, maior a necessidade de controle e proteção das informações. Para o executivo, a governança se tornou um dos principais temas da transformação digital. “Esse é o desafio justamente da governança, garantir que esses dados estejam gerando resultado para as companhias, mas que sejam feitos com todo o cuidado para que os dados sejam preservados”, afirmou. A preocupação com segurança e privacidade já aparece entre as prioridades de empresas que aceleram seus investimentos em IA.
Mudança no perfil dos profissionais
A tecnologia também está mudando o perfil dos profissionais. Em áreas tradicionalmente técnicas, como a tributária, conhecer apenas a legislação deixou de ser suficiente. A diretora de conteúdo tributário da Systex/Vertex, Ana Paula Maciel, afirma que o trabalho moderno exige integração entre conhecimento jurídico e domínio de sistemas. “A tecnologia é uma aliada. Eu acho que ela deixou de ser apenas uma aliada. Ela passou a ser aqui o papel principal, porque o tributarista hoje não adianta mais você entender só de lei. Você tem que entender como interagir com sistemas”, destacou.
IA deixa de ser luxo e vira necessidade das empresas
Na avaliação de Ana Paula, a qualidade dos dados será um dos fatores decisivos para o sucesso das empresas nos próximos anos. Informações incorretas sobre produtos, enquadramentos fiscais ou alíquotas podem gerar custos elevados e comprometer operações inteiras. Por isso, sistemas robustos e integrados ganharam protagonismo. “O que antes era luxo, agora é uma necessidade. Sistemas robustos que apoiem as empresas, não só no cálculo dos tributos, mas para que eles mantenham dados de qualidade”, afirmou.
Reforma tributária e tecnologia
Esse desafio se torna ainda maior com a implementação da reforma tributária. A transição para o novo modelo exigirá atualização constante de regras, integração entre plataformas e monitoramento em tempo real de milhares de informações fiscais. Para Ana Paula Maciel, sem tecnologia será praticamente impossível navegar pela complexidade do período de adaptação. “Sem sistema, é impossível lidar com isso nessa transição”, afirmou. O que antes era visto como diferencial competitivo passou a ser requisito básico de sobrevivência, colocando inteligência artificial, automação e gestão de dados no centro da estratégia das empresas brasileiras.