O Brasil entrou na conversa antes mesmo da primeira pergunta. Apareceu quando o assunto era música, voltou à tona ao falar de futebol e permaneceu presente quando o NTX começou a listar os planos para os próximos meses. Em entrevista exclusiva a VEJA, realizada em Seul, na Coreia do Sul, os integrantes do grupo de k-pop falaram sobre a nova turnê pela América Latina, comentaram a influência crescente de artistas brasileiros em suas playlists e celebraram uma relação com o público nacional que já dura três anos.

O reencontro está marcado para junho. Formado por Hyeongjin, Yunhyeok, Xiha, Changhun, Hojun, Eunho, Seungwon e Rawhyun, o NTX retorna ao país para uma série de apresentações que passará por 18 cidades de países da América Latina: Brasil (13 cidades), Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México.

“Estamos ansiosos para reencontrar os NTFUL e também conhecer o público das cidades que visitaremos pela primeira vez”, conta Hyeongjin. “Queremos mostrar as nossas novas performances que estão sendo adaptadas e misturadas com sons da cultura brasileira, completa Yunhyeok.

Poucos artistas sul-coreanos desenvolveram uma relação tão próxima com o Brasil. Desde a primeira visita, em 2024, o NTX tem ampliado sua presença no país e construído uma trajetória pouco convencional para um grupo de K-pop. Em Niterói, dividiu o palco com a Unidos da Viradouro, escola de samba campeã do grupo especial do Rio de Janeiro. Em Recife, incorporou o frevo a uma apresentação. Agora, chega com o miniálbum “PROTO TYPE”, trabalho que reúne seis faixas inéditas e marca uma nova etapa na evolução musical do grupo.

Entre as músicas mais recentes, os integrantes destacam “Wassup” como o retrato mais fiel do atual momento da carreira. A faixa combina energia, atitude e uma sonoridade que reflete a busca do grupo por uma identidade própria. Não por acaso, essa construção passa também pelas experiências acumuladas fora da Coreia do Sul.

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“Estamos viajando para vários países e conhecendo novos gêneros musicais. Tudo isso influencia a forma como produzimos nossas músicas. Eu tenho estudado o funk brasileiro e tentado incorporar elementos desse estilo em novas composições. Ainda estamos trabalhando nessas ideias, mas podem esperar novidades”, garante Rawhyun.

A influência brasileira não aparece apenas no estúdio. Ela também está nas playlists dos integrantes. Entre os artistas mais ouvidos pelo grupo estão IZA, bandas de rock brasileiras e até a dupla sertaneja Henrique & Juliano.

“Recentemente gravei um cover de ‘Talismã’. Gosto muito dessa música e da forma como ela foi construída”, diz Yunhyeok. Já Hyeongjin tem em sua playlist canções dos sertanejos “Henrique & Juliano”’. Os dois gostariam de colaborar com os artistas.

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A nova turnê também simboliza a expansão da presença do NTX fora dos grandes centros. Desta vez, o grupo estreia em cidades como Belém, Manaus, Fortaleza, Blumenau e Porto Alegre, refletindo um crescimento que os próprios integrantes dizem perceber a cada retorno ao país.

“Na última vez que fomos ao Brasil, vimos muitas pessoas usando nossas camisetas. Sentimos que temos muitas fãs no país”, conta Hojun. ”O NTX também é um grupo muito energético, mas com a paixão e a interação do público, a gente consegue fazer um show bem animado, ultrapassando os limites”, afirma Xiha.

Se a música aproxima o NTX do Brasil, o futebol completa a conexão. O assunto surge naturalmente entre os integrantes, que sonham com uma final de Copa do Mundo entre Brasil e Coreia do Sul. Dentro do grupo, Seungwon carrega a fama de melhor jogador, embora alguns colegas defendam que Hyuk mereça o título.

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Uma preferência, porém, ainda gera discussão entre os fãs: o Botafogo.

“Já gravei muitos vídeos usando a camisa do Botafogo e algumas fãs brincam dizendo que deveríamos torcer para outros clubes. Mas o Botafogo sempre nos apoiou muito e gostamos do clube”, conta Hyuk

Seis anos após a estreia, o NTX parece ter encontrado um caminho singular dentro do K-pop. Em vez de apenas levar sua música para outros países, o grupo absorve referências locais, transforma experiências em repertório e constrói conexões que vão além do palco. No caso do Brasil, essa história parece estar apenas começando.



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