O aumento de um peixe de espécie venenosa na costa brasileira tem preocupado pesquisadores por ameaça à biodiversidade local. A primeira aparição do peixe-leão (Pterois volitans) no Brasil foi em Fernando de Noronha, em Pernambuco, em 2020.

De acordo com a pesquisa “Peixes-leão invasores se espalham por áreas marinhas protegidas do Atlântico Sudoeste”, publicado pela Elsevier, os membros da família  Scorpaenidae são naturais do Indo-Pacífico e se espalharam, nos anos 80, pelo Caribe e pelo Golfo do México, chegando a invadir, inclusive, áreas de proteção de recifes de coral.

No entanto, a vinda ao Atlântico Sudoeste, onde o território brasileiro está localizado, tem ameaçado a pesca artesanal, a saúde pública, incluindo relato de pesquisadores que se machucaram no contato com o animal, e outras espécies da bacia oceânica importantes para a biodiversidade.

A transição do peixe teria ocorrido do Caribe ao Rio Amazonas por meio do sistema de recifes da Grande Amazônia.

Segundo os pesquisadores, na costa nacional a espécie foi capaz de invadir ilhas oceânicas, manguezais, pradarias marinhas, naufrágios e recifes rasos.

Entenda a preocupação dos pesquisadores

Por serem animais venenosos e se reproduzirem rapidamente em grande proporções, o processo da cadeia alimentar típica da biodiversidade nativa pode ser devastada, principalmente para espécies endêmicas, como peixes criptobênticos, que desempenham um papel crucial na produtividade do ecossistema nos recifes. A pesquisa identificou ao menos 29 espécies de peixes endêmicos que são vulneráveis à predação pelo peixe-leão invasor.

Apesar de identificarem os malefícios causados por essa espécie, os estudiosos afirmam que ainda não há dados suficientes para contribuir com as adaptações necessárias dentro do lar oceânico. Para os pesquisadores isso ocorre devido a uma falta de políticas governamentais e apoio financeiro dedicado à pesquisa e à gestão dessa invasão.

Entre 2020 e 2024, 18 AMPs (Àreas Marinhas Protegidas) já foram afetadas, sendo doze com uso sustentável, três parques marinhos, uma reserva biológica e duas reservas dedicadas à proteção da pesca artesanal. Nos próximos 10 anos, a espécie pode se distribuir por cerca de 60% das AMPs.

“Essa rápida disseminação ressalta a necessidade urgente de estratégias de gestão coordenadas para mitigar a ameaça representada pelo peixe-leão em toda a bacia do Oceano Atlântico.”, destacou a pesquisa.

Segundo o ICMbio-Noronha (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade de Fernando de Noronha), o peixe-leão possuiu espinhos venenosos e a sua captura deve ser realiza diretamente com as autoridades competentes, como o próprio instituto.

*Sob supervisão de Manuella Dal Mas



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