Belo Horizonte — Adalton Martins Gomes, engenheiro e perito de 45 anos que é o principal suspeito de assassinar a namorada, Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, no apartamento em que o casal vivia, na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, teria se aproveitado da fragilidade causada pela morte do pai e pelo término de outro relacionamento para se aproximar da estudante de psicologia.
O advovogado da família contou que o relacionamento começou em outubro do ano passado. “Giovana estava fragilizada com a morte do pai e também pelo fim de um relacionamento longo. Foi então que entrou no Tinder e teve o primeiro encontro com ele. Ao perceber a fragilidade dela, em cerca de uma semana ele já começou a levar as coisas dele para a casa da jovem”, disse.
O pai de Giovana faleceu no dia 7 de julho, deixando o imóvel de herança e valores de uma venda imobiliária. O inventário ainda estava em fase de regularização e o imóvel no valor de R$ 900 mil permanecia no nome do pai. “Se você procurar hoje em alguma imobiliária, tem apartamento à venda nesse condomínio. Acho que estão pedindo entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão”, disse.
Suícidio forjado
Em 9 de fevereiro, Giovana foi encontrada morta em casa. De acordo com a própria Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), cena foi montada para simular um suicídio, com frascos de medicamentos espalhados pelo local para aproveitar o histórico de depressão da jovem.
Contudo, o laudo de necropsia apontou que a causa da morte foi asfixia mecânica por sufocação. “Houve obstrução dos orifícios dela. Boca, nariz. A gente não sabe ao certo se foi com um travesseiro, se foi com as próprias mãos, mas houve”, afirmou a delegada Ariadne Coelho, do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Desconfiança
O advogado contou que a família já desconfiava da versão do homem. “Dias após a morte, Adalto mandou mensagens para a mãe e para amigas dizendo que Giovana havia morrido nos braços dele. Mas, no dia do óbito, ele relatou no boletim de ocorrência que saiu de casa às 6h30 e deixou Giovana dormindo. Isso já levantou suspeitas sobre a morte”, contou.
Posse do apartamento
Dias depois da morte de Giovana, segundo o advogado, a família foi ao apartamento para tomar posse do imóvel.
“Quando chegaram lá, Adalto não deixou ninguém entrar, alegando que o apartamento era dele. Com isso e com as outras mensagens, fomos até a polícia pedir uma apuração mais aprofundada da morte da Giovana, porque acreditávamos que não se tratava de suicídio, mas sim de feminicídio”, afirmou.
Manipulador e calculista
O suspeito foi descrito pela PCMG pelos investigadores como um homem altamente instruído, com formação em tecnologia da informação e atuação em tribunais de Justiça, mas também como alguém manipulador e calculista. “Ele é uma pessoa extremamente inteligente, mas bastante ardilosa. É bem meticuloso, detalhista, então sabe se posicionar”, afirmou a polícia durante a coletiva.
As investigações apontam ainda que o homem teria afastado Giovana de familiares e amigos e exercido controle sobre a vida da jovem. “Muitas vezes, esses agressores desqualificam a vítima, tentam culpabilizá-la, afastam dos familiares, dos amigos e retiram totalmente a possibilidade de essas mulheres viverem plenamente”, explicou a delegada.
Outras vítimas
O homem foi preso temporariamente na última sexta-feira (15/5), dentro do imóvel da jovem, que ele tratava como se fosse dele.
“Sobre a conversão da prisão temporária em preventiva, estamos aguardando a Polícia Civil encerrar o inquérito, porque ainda há provas sendo reunidas. Com a repercussão do caso na mídia, podem aparecer outras mulheres que tenham sido importunadas por ele ou outras situações relacionadas. Então, estamos juntando mais elementos para pedir a conversão da prisão temporária em preventiva”, disse o advogado.
Expulsão
Adalton dera servidor público federal do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) e já chegou a ser demitido da instituição após um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Adalton. O espaço segue aberto.