
Em defesa dos servidores da Anvisa, o Sinagências e a Univisa divulgarão uma nota nesta sexta-feira para manifestar sua indignação contra os ataques feitos contra a agência, principalmente após o órgão anunciar restrição a produtos da Ypê por ter identificado risco de contaminação microbiológica em itens fabricados pela empresa.
As entidades condenam a escalada de negacionismo, a desinformação deliberada e os ataques contra a Anvisa, seus servidores, integrantes de sua diretoria e a outros entes do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
Repudiam ainda a tentativa de transformar as ações de fiscalização sanitária e de regulação técnica em alvo de campanhas políticas e econômicas que buscam desacreditar a ciência, enfraquecer instituições públicas e constranger servidores responsáveis por aplicar a legislação sanitária brasileira.
“Também é inaceitável que empresários e setores econômicos descontentes com regras sanitárias tentem substituir o debate técnico por campanhas de desinformação, ataques institucionais e narrativas conspiratórias para pressionar órgãos reguladores e desmoralizar as autoridades sanitárias brasileiras”, pontuam.
Para as entidades, recursos administrativos e divergências regulatórias são legítimos, mas não se pode aceitar as investidas de desrespeito às regras sanitárias, “com ataques pessoais, desinformação e tentativas de intimidação institucional”.
“Sempre que decisões técnicas contrariam interesses econômicos ou políticos, instala-se uma ofensiva para desacreditar a agência e estimular a população a desconfiar da própria ciência”, observam Sinagências e Univisa.
“A lógica negacionista não busca discutir evidências. Busca destruir a confiança social nas instituições técnicas. Transforma prudência sanitária em perseguição, fiscalização em conspiração e servidores públicos em inimigos políticos”, completam.
Demonstram ainda preocupação com a grave situação do diretor da Anvisa Thiago Lopes Cardoso Campos, que tem sido alvo de ataques racistas e desumanizantes simplesmente por exercer suas atribuições legais e institucionais.
“O racismo, nesse caso, é utilizado como instrumento de deslegitimação da autoridade técnica e pública. Quando um servidor é atacado não pelo mérito de sua decisão, mas pela cor da sua pele, o debate deixa de ser institucional e assume contornos inaceitáveis de violência política e racial”, avaliam.
Durante a pandemia, servidores e dirigentes da Anvisa foram constantemente atacados pelos negacionistas – sofrendo ameaças e tentativas de interferência política – apenas por cumprirem seu dever técnico na análise de vacinas e em outras medidas sanitárias.
“Naquele momento, a atuação firme e baseada em evidências da agência foi fundamental para proteger vidas e preservar a confiança da sociedade brasileira na ciência. O negacionismo não desapareceu após a pandemia. Apenas mudou de objeto. O método permanece o mesmo: desacreditar especialistas, atacar instituições públicas, espalhar desinformação e transformar ignorância em instrumento de mobilização política”, concluem as entidades.