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Um relatório confidencial da inteligência americana concluiu que a China tem ampliado sua vantagem estratégica sobre os Estados Unidos em meio à guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro. A informação foi divulgada pelo jornal The Washington Post nesta quinta-feira, 14, com base em dois funcionários dos EUA que tiveram acesso ao documento. 

A avaliação foi elaborada nesta semana pela diretoria de inteligência do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas para o chefe do Estado-Maior, o general Dan Caine. O relatório utiliza a metodologia conhecida como “DIME”, que avalia o uso de instrumentos diplomáticos, informacionais, militares e econômicos por um Estado.

A análise apontou que Pequim aproveitou a crise no Oriente Médio para fortalecer sua influência internacional. A China vendeu armamentos a aliados dos EUA no Golfo Pérsico, que buscavam reforçar a defesa de bases militares e instalações petrolíferas diante dos ataques iranianos, de acordo com a reportagem. 

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã também abriu espaço para a atuação chinesa. Com cerca de 20% do petróleo mundial passando pela rota marítima, diversos países enfrentaram dificuldades energéticas, e Pequim passou a oferecer apoio no fornecimento de combustível e tecnologia de energia renovável.

O relatório ainda destaca que a guerra consumiu grandes quantidades de munições americanas, incluindo sistemas de defesa Patriot, interceptadores THAAD e mísseis Tomahawk. O desgaste preocupa aliados como Taiwan, Japão e Coreia do Sul, que temem a redução da capacidade militar dos Estados Unidos diante de um eventual confronto com a China na região.

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O conflito também teria permitido à China reforçar sua narrativa pública contra Washington, classificando a guerra como “ilegal” e acusando os EUA de agir de forma unilateral.

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EUA negam vantagem

Questionado sobre o relatório, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse que “as declarações que afirmam que o equilíbrio global de poder mudou para qualquer outra nação que não seja os Estados Unidos da América são fundamentalmente falsas”.

Já a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que os EUA “dizimaram as capacidades militares do regime iraniano em 38 dias e agora estão estrangulando o que resta de sua economia com um dos bloqueios navais mais bem-sucedidos da história”. Ela também reiterou que “as forças armadas dos Estados Unidos são a maior força de combate do mundo, com poder incomparável em exibição para o mundo inteiro ver”.

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O relatório foi divulgado em um momento particularmente sensível, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, realiza uma viagem de dois dias à China. O republicano e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, abordaram vários assuntos espinhosos ao longo de uma reunião nesta quinta-feira em Pequim. Segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês, os dois “trocaram opiniões sobre importantes questões internacionais e regionais, como a situação no Oriente Médio, a crise na Ucrânia e a península coreana”.

A declaração também apontou que os líderes concordaram em firmar uma “relação estratégica construtiva e estável entre a China e os EUA”, além de uma “estabilidade estratégica construtiva” com “competição moderada” para um “futuro promissor de paz”. “Xi Jinping enfatizou que a China está comprometida com o desenvolvimento estável, saudável e sustentável das relações sino-americanas”, acrescentou.



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