Com um orçamento de pelo menos R$ 61 milhões, repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, a produtora do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro se recusou a pagar R$ 5 mil para uma diária de locação de filmagem. As informações constam em um processo que tramita na Justiça de São Paulo contra a Go Up Entertainment. A coluna teve acesso aos autos.
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato pelo PL à Presidência da República, pediu dinheiro para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para produzir Dark Horse, o filme biografia de seu pai. Através da Entre Investimentos, Vorcaro repassou R$ 61 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Durante as gravações, o empresário Antônio Donizetti alugou seu estacionamento em São Paulo para a filmagem de uma cena de Dark Horse, no dia 7 de dezembro de 2025. Nos autos, ele alega que a produtora Go Up Entertainment também usou o espaço no dia 6 de dezembro para antecipação da montagem do cenário. O valor da diária era de R$ 5 mil.
Devido ao uso antecipado, Donizetti cobrou mais uma diária à produtora que fez o filme biografia do ex-presidente. Segundo ele relatou na ação judicial, a empresa havia concordado em pagar o valor, mas recuou, alegando que só usou uma parte do espaço.
A Go Up Entertainment, segundo consta nos autos, ofereceu um termo aditivo ao contrato de R$ 3 mil, mas o empresário não aceitou, alegando que eles haviam utilizado o espaço todo, o que impossibilitou o funcionamento do seu estacionamento em um dia que não fora acordado. Donizetti afirma ter havido um prejuízo de R$ 1,3 mil no dia 6 de dezembro.
O caso está em fase de intimações. A Justiça de São Paulo determinou uma audiência de conciliação no dia 13 de agosto deste ano.
Como contou o colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, o valor pago pelo filme de Bolsonaro daria para produzir quatro Agentes Secretos, que concorreu em quatro categorias do Oscar, foi gravado em mais dias e com uma equipe maior.
Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para produção do filme
Diálogos revelados pelo The Intercept, na quarta-feira (13/5), mostram que o senador do PL e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, pediu o valor milionário para o banqueiro para a produção do filme.
Documentos da produção de Dark Horse mostram que 130 pessoas, divididas em 23 grupos, compunham a equipe do filme, como direção, maquiagem, figurino e outros. O diretor do filme-biografia de Jair Bolsonaro, Cyrus Nowrasteh, é citado no áudio de Flávio para Vorcaro como um “cara renomadíssimo” no cinema americano e mundial.
O senador insistia em receber os valores prometidos por Vorcaro alegando não poder atrasar o pagamento da equipe para não comprometer o sucesso do filme.
“Tem muita parcela para trás… Tá todo mundo tenso. […] Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim. […] E agora, que é a reta final, a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, senão a gente perde tudo, perde os contratos, perde ator, diretor, equipe. Perde tudo”, disse Flávio a Vorcaro.
As gravações do filme começaram 42 dias após a cobrança do senador ao banqueiro, no dia 20 de outubro de 2025.
















