O MC Poze do Rodo foi solto nesta quinta-feira (14). O artista, investigado pelo crime de lavagem de dinheiro, havia sido preso em abril e teve a soltura determinada pela Justiça Federal nesta quarta-feira (13).
A Seppen (Secretaria de Estado de Polícia Penal) informou que Marlon Brendon Coelho Couto da Silva deixou o Presídio Joaquim Ferreira de Souza, no Complexo de Gericinó, na capital do Rio de janeiro, quase um mês após sua prisão, durante a Operação Narco Fluxo da Polícia Federal.
A soltura de Poze foi determinada após os desembargadores entenderem que não haviam, neste momento, fundamentos concretos para manutenção da prisão preventiva, além de apontarem excesso de prazo na investigação e ausência de denúncia formal até o momento.
Na decisão do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), obtida pela CNN Brasil, a desembargadora Louise Filgueiras destacou que a prisão cautelar não pode ser usada como instrumento para prolongar investigações ou antecipar punição.
Com a revogação da prisão, MC Poze deverá cumprir medidas cautelares, incluindo comunicar endereço atualizado à Justiça, comparecer a todos os atos do processo, não deixar a cidade por mais de cinco dias sem autorização judicial, comparecimento mensal em juízo e proibição de deixar o país sem autorização, com entrega de passaporte, caso possua.
A prisão de MC Poze do Rodo
A prisão de Poze foi realizada no dia 15 de abril, em sua própria residência, no Recreio dos Bandeirantes, zona Sudoeste do Rio de Janeiro, durante a operação Narco Fluxo.
A ação buscou desarticular um grupo suspeito pelo crime de lavagem de dinheiro, inclusive por meio de criptoativos, no Brasil e no exterior.
A investigação teve início a partir da análise de um backup na nuvem (iCloud) de Rodrigo Morgado, apontado como o contador do esquema, cujos dados foram obtidos na investigação anterior, a Operação Narco Bet.
Para mascarar a origem ilícita dos recursos e enganar os órgãos de fiscalização, a organização utilizava um mecanismo batizado de escudo de conformidade, em que artistas e influenciadores digitais usavam sua visibilidade pública e engajamento na internet para naturalizar transações milionárias.
A lavagem do capital operava em três eixos principais:
- Pulverização: Inserção de dinheiro sem lastro econômico por meio da venda de ingressos para shows, produtos e ativos digitais.
- Dissimulação: Uso intensivo de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie e múltiplas transferências fracionadas para dificultar o rastreamento financeiro.
- Interposição de terceiros: O chamado “aluguel de CPFs”, com o uso de familiares, laranjas e empresas de fachada para esconder quem eram os reais donos dos valores.
A investigação identificou um fluxo financeiro de R$ 1,6 bilhão movimentado pelo grupo em menos de dois anos, valor que teve seu sequestro e bloqueio determinado pela Justiça. As estimativas da PF apontam que a organização pode ter movimentado até R$ 260 bilhões.
A ação contou com mais de 200 policiais federais cumprindo 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária em nove estados e no Distrito Federal.
Foram apreendidos R$ 20 milhões referentes a cerca de 55 veículos de luxo (incluindo modelos Porsche, BMW, Amarok e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren), além de armas, R$ 300 mil e US$ 7,3 mil em espécie, 56 joias e relógios Rolex, e o bloqueio de saldo em corretoras de criptomoedas.
Entre os presos estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, o casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão, além do dono da página Choquei Raphael Sousa Oliveira.
*Sob supervisão de Rafael Saldanha