Você já terminou o almoço pensando no que ia comer no jantar? Já ficou com aquela voz mental em looping, negociando se pode ou não comer determinado alimento, planejando a próxima refeição antes de terminar a atual? Esse estado tem nome: food noise, ou ruído alimentar, em tradução livre.

Para um número crescente de pessoas, pensamentos persistentes sobre comida funcionam como um ruído de fundo constante. O termo ganhou força nas redes sociais e também chamou a atenção de profissionais de saúde.

Mas o que separa o pensamento normal sobre comida de um problema que merece atenção?

Food noise: quando a sua cabeça não para de pensar em comida - destaque galeria

Para começar a cozinhar, comece com receitas simples, leia a receita atentamente e siga o passo a passo
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Mantenha a organização na cozinha, utilizando utensílios básicos e garantindo que facas estejam afiadas
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Além disso, preaqueça panelas e fornos e use fogo baixo para evitar queimar os alimentos, e preste atenção aos sinais da comida, como cheiro e cor
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Separe e meça todos os ingredientes antes de acender o fogo. Isso evita que você perca tempo procurando algo no meio do preparo
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Separe e meça todos os ingredientes antes de acender o fogo. Isso evita que você perca tempo procurando algo no meio do preparo

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Para iniciantes, o fogo baixo ou médio é ideal, pois dá mais tempo para reagir e evitar que a comida queime
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É normal que as primeiras tentativas não sejam perfeitas. Cozinhar é um processo de aprendizado
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É normal que as primeiras tentativas não sejam perfeitas. Cozinhar é um processo de aprendizado

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Pensar em comida é normal, até o momento em que deixa de ser

Em um certo nível, pensar em comida é completamente fisiológico. O problema começa quando esses pensamentos se tornam intrusivos e recorrentes mesmo na ausência de fome real. Os pensamentos chegam sem pedir licença, dificultam a concentração, interrompem o trabalho, os estudos e os momentos de lazer, e se transformam em uma espiral de ruminação mental.

A dificuldade em distinguir fome física de vontade despertada por gatilhos, comer no automático sem perceber que já está satisfeito e confundir ansiedade ou tédio com fome são sinais de que o ruído passou de normal para problemático.

De onde vem esse ruído?

A explicação mais bem sustentada aponta para a restrição alimentar como principal gatilho. O maior gatilho para pensar em comida de maneira intrusiva são o comer restritivo, a mentalidade de dieta, o ambiente com comida ultraprocessada superdisponível e o estigma em relação ao corpo.

Foto colorida de comida ultraprocessada e duas pessoas beliscando - Metrópoles.
Ultraprocessados influenciam no comportamento

Existe ainda um componente cultural importante. O comer restritivo produz o que pesquisadores chamam de restrição cognitiva: a pessoa pode não estar com fome, mas passa o tempo todo dizendo a si mesma que não pode comer. Ao mesmo tempo, o ambiente joga na direção oposta, com notificações de delivery, conteúdo de comida nas redes sociais e supermercados organizados para estimular o desejo.

O que fazer quando o food noise não para

O caminho mais eficaz combina técnicas cognitivo-comportamentais para identificar pensamentos automáticos ligados à comida com o abandono da lógica de restrição, trabalhando uma relação mais neutra com os alimentos.

Em um mundo que vende dieta e comida ultraprocessada ao mesmo tempo, o food noise provavelmente não é um problema de força de vontade. É, em grande medida, uma resposta previsível a um ambiente que empurra o cérebro em direções opostas todos os dias.

Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida





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