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Destino de inverno? Sim. Paraíso do chocolate e do fondue? Também. Destaque no cinema nacional? Claro. Fez do Natal uma das suas maiores atrações? Não restam dúvidas. Virou uma meca de parques temáticos? Com certeza. Gramado, uma das principais atrações turísticas do país, na Serra Gaúcha, é tudo isso. Mas, também não se pode negar, que todas essas singularidades estão ligadas, de alguma forma, às suas raízes. Das 75 principais atrações desta cidade, cerca de 70% delas têm à frente ou estão associadas de alguma forma a descendentes das primeiras famílias que se estabeleceram ali. Por onde se anda, o turista percebe que o passado de Gramado ainda está muito vívido no seu presente e em suas atrações.

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Passado e presente influenciados pela colonização europeia: por onde se anda em Gramado, o turista encontra atrações que têm imigrantes italianos e alemãs à frente (Sofia Cerqueira/VEJA)

Só para entender um pouquinho da sua história, Gramado começou a receber imigrantes italianos, alemães e também portugueses a partir da segunda metade do século XIX. Para estimular o povoamento da região – nos primórdios ocupada por povos indígenas, como os Kaingang, e onde costumava nevar todos os anos –, o governo imperial fornecia terras aos estrangeiros dispostos a se mudar para lá. Sabe-se que os italianos vieram atraídos pela similaridade do clima com seu país natal, o que possibilitaria o cultivo de vinhedos; os alemães pela agricultura em geral e os portugueses dispostos a atuar no novo comércio. Na década de 1920, com a abertura de uma estrada de ferro entre Porto Alegre e a região de Gramado, essa imigração se intensificou. Foi também nesse período que surgiram as primeiras pousadas familiares naquele trecho da serra, dando início – àquela altura de forma modesta – a sua vocação turística.

Ainda hoje, seja em um restaurante ou em uma chocolateria, em um parque temático ou em uma vinícola, em uma loja ou em uma atração aberta recentemente, o visitante se depara com orgulhosos descendentes dessas famílias vindas da Europa. Não por acaso, recentemente a cidade lançou uma nova marca turística com o slogan: “Gramado. Feita de histórias”. A ideia é ressaltar esse passado que está intrinsecamente ao turismo da região e ao seu desenvolvimento. “Costumo dizer menos Disney e mais raízes”, observa Ricardo Bertolucci, secretário de Turismo de Gramado. “Não estou menosprezando uma referência mundial nem diminuindo a importância de nossos parques para a região, mas sim reforçando a importância da nossa história. Ela está presente em tudo”, explica ele.

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No coração de Gramado: a icônica Rua Coberta é uma das mais de 75 atrações da cidade, que tem nas famílias com crianças mais da metade de seus turistas (Sofia Cerqueira/VEJA)

Durante alguns dias no princípio de maio, a convite da Secretaria Municipal de Turismo e do Visit Gramado – portal oficial de turismo da cidade –, a colunista teve a chance de ver de perto a presença massiva de imigrantes, sobretudo, italianos e alemães, na arquitetura da cidade (construções em estilo enxaimel), na gastronomia (cafés coloniais, cantinas, galeterias…) e em suas atrações turísticas em geral. Não restam dúvidas que essa mistura de etnias, que formou uma cultura e um lugar tão especial, ajudou – e muito – a impulsionar a vocação da cidade. Atualmente, só para se ter uma ideia, 86% da economia local é calcada no turismo.

Atrativos para o ano inteiro: há muito tempo Gramado deixou de ser um destino só de Natal, de inverno ou da época do Festival de Cinema
Atrações e eventos o ano inteiro: 86% da economia da cidade de Gramado é calcada no turismo (Sofia Cerqueira/VEJA)
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Por ano, Gramado, que tem 200 hotéis, com 27 000 leitos, e 300 restaurantes, recebe impressionantes 8 milhões de visitantes. Isso, apesar não ter aeroporto – já existe o projeto de até 2028 de ser aberto o Aeroporto Regional da Serra Gaúcha, no distrito de Vila Oliva, em Caxias do Sul, a cerca de 40 minutos de Gramado. Do total de turistas que visitam hoje a região, em torno de 50% deles são formados por famílias com filhos. O tempo médio de permanência dos turistas ali, revelam ainda pesquisas, é de 4,5 dias. Com três pilares (sustentabilidade, economia criativa e o turismo como grande alicerce), a cidade já traçou um plano para os próximos 15 anos reforçando a sua essência. “Nossa intenção não é aumentar esse número de visitantes, mas fazer com que eles fiquem mais tempo na região. Também estamos trabalhando para diminuir a sazonalidade, criando e estimulando atrações e eventos durante todos os meses do ano”, completa o secretário Ricardo Bertolucci. As raízes desta cidade gaúcha, fincadas na sua história de imigração, com certeza, tornam o destino ainda mais atrativo.

 

Conheça a seguir dez atrações e locais em Gramado que, de alguma forma, estão diretamente ligados a história da cidade e a seu passado de imigração:

Celebração da cultura dos imigrantes: a Casa do Colono e seu entorno oferecem comidas e artesanato típicos
Celebração da cultura dos imigrantes: a Casa do Colono e seu entorno oferecem comidas e artesanato típicos (Sofia Cerqueira/VEJA)

1.Casa do Colono

Ao lado da rodoviária e bem pertinho da Avenida Borges de Medeiros, a principal da cidade, a Casa do Colono é um local de muito fácil acesso. O charmoso espaço celebra a cultura dos imigrantes, oferecendo pães, cucas e produtos artesanais feitos no forno a lenha, vindos diretamente da área rural da cidade. O pão com linguiça assado é o carro-chefe do local. Além da padaria, ali são vendidos queijos, salames, geléias, chimias, mel, biscoitos, vinhos e sucos de uva, todos produzidos na região. Site: https://www.casadocolonogramado.com.br/

Praça das Etnias: um lugar perfeito para conhecer a história da cidade de Gramado, que começou a ser ocupada no final do século XIX
Praça das Etnias: um lugar perfeito para conhecer a história da cidade de Gramado, que começou a ser ocupada no final do século XIX (Sofia Cerqueira/VEJA)
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2.Praça das Etnias

Com a Casa do Colono (destaca a cultura alemã) logo na sua entrada, a Praça das Etnias reúne ainda construções que homenageiam os imigrantes italianos e portugueses. Ali há também uma casa de pedra, onde se pode adquirir passeios de agroturismo, cujo ponto de partida é em frente à praça. Neste local, cercado por jardins bem cuidados, os turistas ainda encontram uma grande padaria, muito procurada por moradores da cidade, e uma loja onde podem ser adquiridos objetos de artesanato e lembrancinhas da cidade. Aos sábados, este complexo tem atrações especiais, entre elas uma feirinha de produtos coloniais e outra com produtos orgânicos. Em ambas, os produtos são comercializados pelos próprios colonos. Vale muito a visita! Site: https://portalgramado.com.br/pontos-turisticos/pontos-turisticos/praca-das-etnias-casa-do-colono

História à disposição dos visitantes: com entrada grauita, o Museu Major José Nicoletti Filho reúne não só o passado de Gramado como de toda a região
História à disposição dos visitantes: com entrada grauita, o Museu Major José Nicoletti Filho reúne não só o passado de Gramado como de toda a região (Sofia Cerqueira/VEJA)

3.Museu Major José Nicoletti Filho

Inaugurado há apenas quatro anos, o museu, que leva o nome do primeiro administrador de Gramado (que instituiu a sede do então distrito em 1913 e foi fundamental para o seu desenvolvimento inicial), fica bem ao lado da Rua Torta – uma das principais atrações da cidade. Com entrada gratuita, o museu fica em uma casa centenária de madeira, onde viveu o próprio major Nicoletti. Ali, divididos em sete salas, os visitantes podem conhecer um pouco mais sobre a fauna e flora local; os povos originários que habitavam aquele trecho da Serra Gaúcha; a saga dos tropeiros que paravam na região para descansar e, claro, a história dos imigrantes que formaram a cidade. Site: https://visite.museus.gov.br/instituicoes/museu-major-jose-nicoletti-filho/

Festa da Colônia: acontece sempre entre o fim de abril e o mêrs de março e, em 2027, terá 30 dias de comemoração e feira com artigos típicos
Festa da Colônia: acontece sempre entre o fim de abril e o mês de março e, em 2027, terá 30 dias de comemoração e feira com artigos típicos (Sofia Cerqueira/VEJA)

4.Festa da Colônia

Realizada sempre entre o final de abril e meados de maio, a Festa da Colônia acontece esse ano até o próximo dia 17 – em 2027, a intenção é que dure o mês inteiro de maio. O evento, que está em sua 35ª edição, é um dos acontecimentos mais tradicionais da Serra Gaúcha e representa uma celebração das origens rurais e da herança dos imigrantes que ajudaram a construir a história de Gramado. A festa reúne gastronomia típica, danças, jogos, shows de música, além da venda de inúmeros produtos produzidos por famílias da região. Há stands que oferecem o típico café colonial; outros com cucas e pães recém-saídos dos fornos, além de pratos como galetos, massas, polentas e o famoso bolinho de batata frito. Site: https://www.festadacolonia.net.br/

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Restaurante Höppner: experiência autêntica da gastronomia alemã, com destaque para o menu degustação “Sabores da Baviera”
Restaurante Höppner: experiência autêntica da gastronomia alemã, com destaque para o menu degustação “Sabores da Baviera” (Sofia Cerqueira/VEJA)

5.Restaurante Höppner

Se a ideia é ter uma experiência autêntica da gastronomia alemã, o local é imperdível. O restaurante, localizado dentro do renomado Hotel Ritta Höppner, e considerado um dos mais tradicionais do país na culinária alemã, também foi um dos vencedores, em 2025, do prêmio Travellers’ Choice – Best of the best restaurants, do TripAdvisor (reconhece os estabelecimentos mais bem avaliados por viajantes na plataforma). Com arquitetura em estilo enxaimel e clima acolhedor, o local é ideal para jantares românticos e ocasiões especiais. Entre os destaques do cardápio estão o menu degustação “Sabores da Baviera” e o clássico eisbein (joelho de porco). Site: https://rittahoppner.com.br/restaurante-hoppner/

Lovatto & Sartori: produtos de alta qualidade e gastronomia elogiada, comandada por Ana Maria, seu marido Marco Aurélio e o filho Tiago
Lovatto & Sartori: produtos de alta qualidade e gastronomia elogiada, comandada por Ana Maria, seu marido Marco Aurélio e o filho Tiago (Sofia Cerqueira/VEJA)

6.Casa Lovatto & Sartori

O misto de restaurante, salumeria, bar e café familiar, tocado de perto pelo casal Marco Aurélio e Ana Maria Lovatto Sartori e o filho Tiago, todos descendentes de imigrantes italianos, oferece uma autêntica experiência daquele país. Localizado em uma rua tranquila do Centro de Gramado, o local reúne um atendimento atencioso, ingredientes de alta qualidade e um cardápio criativo (sanduíches, tábuas de frios, pizzas e o tradicional capeletti in brodo). Para quem busca um lugar especial e quer fugir do burburinho da cidade, a Casa Lovatto & Sartori é perfeita. Mas não vá esperando um ambiente suntuoso nem muito grande. Há algumas mesas em um salão e outras na parte da varanda. Instagram: @casalovattoesartori

Mesa farta: o Galeto Mamma Mia surgiu em 1985, em Gramado, e se espalhou por todo o Sul do país
Mesa farta: o Galeto Mamma Mia surgiu em 1985, em Gramado, e se espalhou por todo o Sul do país (Sofia Cerqueira/VEJA)
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7.Galeto Mamma Mia

O restaurante, aberto em 1985 e que hoje tem franquias espalhadas pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, é um dos mais emblemáticos de Gramado. A sua história começou quando seu fundador, Julinho Cavichioni, então com 16 anos, decidiu se emancipar e criar um negócio que reproduzisse a culinária farta dos almoços de domingo em sua família, de origem italiana. Embora tenha alguns pratos à la carte, o forte mesmo da casa é o galeto que se baseia numa sequência de pratos: sopa de capeletti, pães italianos, salada de radicci, polenta frita e massas artesanais com diversos molhos, servidos à vontade. Site: https://gramado.galetomammamia.com.br/

Inspiração na refeição matutina reforçada dos colonos: o Coelho Café Colonial é um dos mais tradicionais do gênero na cidade
Inspiração na refeição matutina reforçada dos colonos: o Coelho Café Colonial é um dos mais tradicionais do gênero na cidade (Sofia Cerqueira/VEJA)

8.Coelho Café Colonial

Em funcionamento desde a década de 1980, o Coelho Café Colonial é uma das principais referências do gênero na Serra Gaúcha. Criado pelo casal Zanis Coelho (que começou como garçom), de 80 anos, e Aleda Coelho (foi confeiteira), de 76, o local oferece mais de 80 variedades de pratos doces e salgados típicos da colonização alemã e italiana, serviços à vontade (rodízio na mesa), além de café, chocolate quente, vinho, suco de uva e fondue de chocolate. Os fundadores deste café colonial, como acontece com outras casas típicas da região, se inspiraram num hábito dos imigrantes no interior, que tomavam um farto café da manhã, com tudo que produziam e tinham em casa, antes de irem para a lavoura. Site: https://www.cafecoelho.com.br/

Planeta Chocolate: loja temática oferece a experiência de fazer o
Planeta Chocolate: loja temática oferece a experiência de fazer o “seu próprio chocolate” e agrada crianças e adultos (Sofia Cerqueira/VEJA)

9.Planeta Chocolate (da marca Chocolate Gramadense)

Descendente de portugueses, Altanísio Ferreira de Lima (já falecido) criou a marca de chocolates em 1982, focada na produção artesanal de qualidade, e ao longo dos anos se tornou uma das mais tradicionais da região. Hoje produz cerca de 180 toneladas de chocolates por ano. Em 2025, o grupo abriu o Planeta Chocolate, uma loja temática, com quase 3000 metros quadrados. O local, com entrada gratuita e o conceito de “experiência intergaláctica”, reúne atividades interativas, cafeteria, cascata de chocolate e uma grande área infantil. Uma das atrações mais procuradas, com pagamento à parte (R$ 59,00), é a chance de “fazer o seu próprio chocolate”. O local agrada crianças, mas também adultos. Site: https://www.chocolategramadense.com.br/

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Cave 48: o restaurante, na icônica Rua Coberta de Gramado, oferece a irresistível sequência de fondue
Cave 48: o restaurante, na icônica Rua Coberta de Gramado, conta com a irresistível sequência de fondue (Sofia Cerqueira/VEJA)

10.Cave 48

Localizado no coração de Gramado, a icônica Rua Coberta, o charmoso restaurante é especializado na sequência de fondue e vinhos. Há menos de um mês, o local passou a contar com uma “janela do vinho”, nos moldes das que existem em Florença, na Itália – conhecidas como buchette del vino, o cliente paga um preço fixo e recebe ali o vinho (podendo levar a taça para casa). A Cave 48 faz parte do grupo da Vinícola Jolimont, que tem 12 lojas e três restaurantes na cidade. Como boa parte dos negócios abertos na região, a vinícola, que recebe 212 000 visitantes/ano e produz 1 milhão de garrafas de 70 rótulos no mesmo período, tem suas raízes na imigração europeia. A Jolimont foi criada por um francês, em 1948, e adquirida por uma família descendente de italianos em meados dos anos 1980. Site: https://www.vinhosjolimont.com.br/

 

Onde se hospedar em Gramado: Com uma localização privilegiada, o Hotel Fioreze Centro é uma ótima pedida para quem busca bom custo-benefício e quer ter acesso as principais atrações do Centro da cidade a pé. O hotel fica a apenas 180 metros, por exemplo, da Rua Coberta. Conta com academia, espaço kids, copa baby e um café da manhã, famoso pela fartura. Site: https://www.hoteisfioreze.com.br/hotel-fioreze-centro

 

Siga também no Instagram o perfil @omundodesofia_cerqueira Com o olhar cultivado em redações por mais de 30 anos, convido você a viajar pelo mundo, por aqui. Nesse amplo e diversificado roteiro, cabem um destino encantador, uma suíte especial, uma experiência única, uma curiosidade do setor e tudo mais que possa instigar quem está de malas prontas ou sonha em pôr o pé na estrada.



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