
A Petrobras vende gasolina abaixo do Preço de Paridade de Importação desde o início da guerra no Oriente Médio, mostram dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (ABICOM) consultados por VEJA nesta terça-feira, 12.
Em março, último mês do balanço do primeiro trimestre de 2026, a estatal vendeu gasolina com defasagem entre 0,60 centavos e 1,20 real. Em meio a esse fator, a estatal reportou queda de 7,2% no lucro líquido ajustado, que ficou em 32,6 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026.
O resultado da empresa decepcionou analistas do mercado financeiro. Felipe Sant’Anna, especialista em mercado da Star Desk, aponta que o fato de a estatal ter segurado os preços sempre pesa para o balanço da empresa. No entanto, o pior é a percepção do mercado financeiro, que pode indicar uma interferência política na estatal.
“No fundo a Petrobras passa a lucrar menos. No balanço político geral isso é bom para o governo, pois a empresa continua lucrando com a exportação de petróleo e controla a pressão no mercado interno com o preço da gasolina, o que controla inflação e não degrada a popularidade do governo”, argumenta Sant’Anna.
O especialista diz ainda que a estatal não trabalha com uma política de preços aberta. Segundo ele, a mensagem que a empresa transmite é que a guerra entre Estados Unidos e Irã deve acabar brevemente, o que significa que o petróleo pode arrefecer. Se isso acontecer, o analista comenta que a defasagem deve cair e a empresa não precisa fazer reajuste. No entanto, ele lembra que a guerra caminha para o seu terceiro mês completo, o que mostra que o fim do conflito é incerto.
“O mercado não está preocupado se a gasolina vai aumentar e piorar a inflação e a vida dos brasileiros e a popularidade do governo Lula. Os investidores querem lucro, querem que a Petrobras reajuste os preços para pagar mais dividendos“, conclui Sant’Anna.
Em seu balanço do primeiro trimestre de 2026, a empresa não sinalizou nenhum reajuste no mercado doméstico, a companhia disse apenas que alta do petróleo será vista no balanço do segundo trimestre de 2026 nas exportações de petróleo, o que para Sant’Anna indica que estatal deve segurar os preços no Brasil por mais tempo. Em relatório, os analistas do Itaú BBA apontavam que a estatal vendia gasolina com um desconto de 41% em relação ao mercado internacional.
Em meio a esses fatores a Petrobras teve resultado abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2026 e entregou dividendos menores que o previsto. Veja os demais fatores que fizeram a estatal decepcionar o mercado nesta reportagem.