O Kremlin repetiu nesta terça-feira (12) a afirmação do presidente russo, Vladimir Putin, de que a guerra na Ucrânia estava quase no fim, e o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a conclusão da guerra estava “muito próxima”, perspectivas não compartilhadas pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que disse que Moscou não tinha intenção de encerrá-la.
“Acho que o assunto está chegando ao fim”, disse Putin a repórteres no último sábado (9).
Solicitado um comentário sobre as falas de Putin, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse nesta terça-feira que uma certa quantidade de trabalho trilateral com a Ucrânia e os Estados Unidos foi feita para encerrar a guerra.
“Esse trabalho de base acumulada em termos do processo de paz nos permite dizer que a conclusão está de fato se aproximando”, disse Peskov aos repórteres, embora tenha acrescentado que era difícil fornecer detalhes específicos no momento.
Falando a jornalistas nesta terça-feira antes de partir para uma visita de Estado à China, Trump disse, da mesma forma, que um acordo entre as duas nações estava se aproximando, mas também não entrou em detalhes.
“O fim da guerra na Ucrânia eu realmente acho que está muito próximo”, disse Trump ao deixar a Casa Branca.
Zelensky não compartilha desse otimismo. Na segunda-feira (11), ele disse que “a Rússia não tem intenção de acabar com essa guerra. E nós estamos, infelizmente, nos preparando para novos ataques”.
Trump convocou várias rodadas de negociações com os lados beligerantes para tentar encerrar o conflito, mas nenhum acordo de paz foi firmado. A Rússia, que atualmente ocupa cerca de um quinto da Ucrânia, quer que Kiev ceda mais território. Já os ucranianos querem que as tropas russas se retirem.
Peskov disse que a Rússia acolheu os esforços adicionais de mediação dos EUA e que Putin estava preparado para se encontrar pessoalmente com Zelensky assim que o processo de paz fosse finalizado.
“E para essa finalização, a fim de colocar um ponto final no conflito, uma grande quantidade de trabalho preparatório ainda precisa ser feito”, disse ele, acrescentando que o conflito poderia terminar assim que Kiev e Zelensky “tomassem a decisão necessária”.
Os lados em conflito concordaram com um cessar-fogo curto, mediado pelos EUA, de 9 a 11 de maio, coincidindo com o aniversário da vitória soviética sobre os nazistas na Segunda Guerra Mundial.
Embora nenhum dos lados tenha relatado ataques aéreos em grande escala durante o cessar-fogo, ambos disseram que os combates continuaram ao longo da linha de frente e acusaram um ao outro de ataques com drones e artilharia.