
Faltando vinte semanas das eleições, Lula resolveu anunciar um “plano de combate ao crime organizado”.
Prevê gastar 11 bilhões de reais num projeto de segurança pública cujo êxito depende do apoio político e integração efetiva com forças policiais nos 26 estados e no Distrito Federal. Porém, nada foi combinado com os governos estaduais nem com o Congresso Nacional.
Foi a forma que o Palácio do Planalto encontrou para levar a segurança pública à agenda de debates eleitorais. O improviso indica a fragilidade do plano, a pressa sugere prioridade ao marketing da reeleição.
Há aí uma novidade: depois de onze anos e quatro meses no Planalto, em três mandatos, Lula admite que o governo federal tem parte da responsabilidade na crise de segurança pública. Até aqui, sempre deixou o problema e as eventuais soluções na conta dos governadores.
O tempo de indolência acabou. Não há como driblar a realidade de quatro em cada dez eleitores (69 milhões em 156 milhões de pessoas aptas a votar), que dizem ver atuação de bandos do crime organizado nos bairros onde vivem, segundo o Datafolha. Lula, desta vez, não tem como evitar o debate sobre segurança pública.

Será um novo item na cesta de ofertas eleitorais do presidente-candidato. A série de iniciativas anunciadas até a semana passada custam mais de 140 bilhões de reais. Esse valor é equivalente à dinheirama que o Congresso deu a Lula na transição de governo, em dezembro de 2022, para tapar o buraco aberto no orçamento pelos gastos eleitorais de Jair Bolsonaro.
Até agora, porém, o pacote de reeleição não produziu os efeitos esperados no eleitorado. Pesquisa realizada na semana passada pelo instituto Futura confirma percepção predominante já registrada em diferentes sondagens: a rejeição a Lula continua alta (próxima dopatamar de 50%), assim como ao seu adversário atualmente mais destacado na disputa pela presidência, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal.