
Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, foi considerado culpado por desacatado nesta segunda-feira, 11, após não comparecer ao Tribunal Departamental de Tarija, no sul do país, para o julgamento de tráfico de uma menor. O juiz Carlos Oblitas suspendeu a abertura da sessão, prevista para às 8h30 no horário local (9h30 em Brasília), devido à ausência do réu. Morales é acusado de manter um relacionamento com uma adolescente e engravidá-la em 2016, enquanto cumpria seu terceiro mandato.
O advogado de Morales, Nelson Cox, anunciou que o ex-presidente não compareceria à corte por acreditar que não teria um julgamento justo e que respeite o devido processo legal. No X, antigo Twitter, Morales afirmou que era vítima de um “perseguição judicial e midiática brutal com acusações fabricadas para me aniquilar moral e fisicamente”. Ele, no entanto, nunca negou ter mantido relações com a menor de idade, mas rejeitou as acusações criminais.
“Não busco impunidade. Quero que meus acusadores provem — com evidências legais e concretas — os supostos crimes que cometi. Exijo uma Justiça imparcial, honesta, objetiva e autônoma, independente do poder político”, escreveu. “Podem me acusar sem provas, me insultar, ameaçar, discriminar, desmembrar e matar, mas não conseguirão silenciar o povo organizado, combativo e indignado diante de um governo dos ricos, neocolonialistas e entreguistas.”
+ Alto magistrado da Bolívia é morto a tiros por sicários
Entenda o caso
Segundo o procurador departamental de Tarija, José Mogro, os investigadores conseguiram reunir mais de 170 provas contra o ex-presidente. A acusação sustenta que os pais da menina consentiram com o relacionamento em troca de benefícios, o que levou o Ministério Público a denunciar o caso como tráfico de pessoas qualificado. Na época, a adolescente tinha 15 anos, ao passo que Morales tinha 55.
Hoje, a jovem vive na Argentina com a criança. Morales passou a ser investigado em 2024, depois de fotos e trocas de mensagens entre o ex-presidente e a adolescente terem sido publicadas pela imprensa. Ele também enfrenta acusações de tráfico de pessoas e abuso sexual infantil em Buenos Aires, onde recebeu asilo político de 2019 a 2020.
As acusações formais, no entanto, só foram apresentadas em outubro do ano passado. De lá para cá, ele permanece na região de Chapare, em Cochabamba, um dos seus redutos políticos. Seus apoiares, inclusive, montaram barricadas para impedir o cumprimento de dois mandados de prisão — ambos emitidos em 2025 por não ter comparecido ao tribunal. O ex-presidente não pode sair do país e teve bens confiscados preventivamente.