A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) repudiou as ações da nova fase da operação da PF (Polícia Federal) que investiga as fraudes do Banco Master, deflagrada nesta quinta-feira (7).
O parlamentar é suspeito de utilizar o mandato para atuar a favor de Daniel Vorcaro, dono do antigo banco. Ciro e seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, foram alvo da operação.
Em nota, a defesa afirma que o senador “não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados” e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.
“Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, completa a defesa.
Em relatório da PF utilizado para embasar a ação, o senador é apontado como destinatário central das vantagens indevidas e como agente público que teria utilizado o mandato parlamentar a favor de Vorcaro.
A PF aponta que Ciro recebeu um envelope com uma sugestão de emenda parlamentar elaborada pelo Banco Master, que buscava ampliar o limite de garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
O relatório ainda traz registros de pagamentos mensais “da ordem de R$ 300.000,00 ou mais” coordenados pelo ex-banqueiro ao senador.
O ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) está proibido de entrar em contato com investigados e testemunhas do caso, incluindo seu irmão. Policiais estiveram na sua casa, em Brasília, nesta manhã cumprindo mandado de busca e apreensão.
Essa é a quinta fase da operação Compliance Zero, que tem como objetivo aprofundar investigações sobre o esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
As ações da PF foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).
O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro foram presos na última fase da operação, em abril.
Vorcaro segue preso na Superintendência da PF em Brasília, enquanto trabalha na possibilidade de delação premiada. A proposta foi entregue pela defesa nesta semana e já começou a ser analisada pela PF e pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
Veja a nota da defesa de Ciro na íntegra:
A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.