A Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6/5), a segunda fase da Operação Hidra para investigar um esquema de falsificação de identidades que teria contado com a participação de um servidor da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
O alvo é um papiloscopista da instituição, profissional responsável pela emissão de documentos de identidade e pela identificação de vítimas e suspeitos em investigações criminais.
Os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do investigado, em Várzea Grande, e também no local de trabalho dele, dentro do Instituto Médico Legal (IML), em Cuiabá.
As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Várzea Grande, com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá.
Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares contra o servidor e outros investigados, incluindo proibição de contato entre eles e impedimento de deixar a comarca sem autorização judicial.
Durante a operação, os agentes apreenderam canetas emagrecedoras contrabandeadas e anabolizantes na residência do servidor.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou em julho de 2025, após a prisão de um homem de 44 anos conhecido como “Perfume” ou “Kaiak”, apontado como integrante de uma facção criminosa paulista e foragido havia pelo menos 12 anos em Mato Grosso.
Na ocasião, os investigadores descobriram que ele, a companheira e os dois filhos utilizavam documentos falsos. Também foi apreendida uma pistola com numeração raspada.
Com o avanço das apurações, a primeira fase da Operação Hidra foi deflagrada em agosto de 2025. Nessa etapa, a polícia identificou um homem de 66 anos apontado como intermediário do esquema.
A análise dos dados obtidos durante a investigação revelou, segundo a polícia, tratativas entre o intermediário e o papiloscopista investigado, que teria atuado para facilitar a emissão de identidades falsas.
De acordo com a delegada Eliane da Silva Moraes, titular da Delegacia de Estelionato, a operação busca impedir o uso da estrutura pública por organizações criminosas.
“O trabalho integrado entre a Delegacia de Estelionato e a Politec foi fundamental para desarticular um esquema de falsificação documental ligado a outros crimes”, afirmou.
O nome da operação faz referência à Hidra de Lerna, criatura da mitologia grega conhecida pelas múltiplas cabeças, em alusão às diferentes identidades utilizadas pelos investigados para dificultar a ação da Justiça.