O programa nuclear iraniano não foi destruído pelos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel, contrariando declarações feitas pelos dois países. É o que indica uma reportagem recente, analisada pelo especialista Gunther Rudzit ao WW, da CNN Brasil, desta terça-feira (5).
Para o professor de Relações Internacionais da ESPM e da Unifa, tudo aponta que o Irã permanece com partes significativas de sua cadeia de enriquecimento de urânio intactas.
Segundo Rudzit, tanto Israel quanto os Estados Unidos afirmaram, ao menos três vezes, que o programa nuclear iraniano teria sido danificado a ponto de inviabilizar a retomada da busca por material físico para armas nucleares. No entanto, os fatos indicam que esse objetivo não foi alcançado.
Prazo para bomba foi adiado, não eliminado
Antes do início do conflito, estimava-se que o Irã levaria entre três e seis meses para construir uma bomba nuclear e colocá-la em prática. Agora, esse prazo foi estendido para entre um ano e um ano e meio. “Foi adiado, não foi dizimado”, afirmou Rudzit, lembrando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a declarar que o programa havia sido “obliterado”.
Guarda Revolucionária e o risco nuclear
“Um dos principais objetivos da guerra, ao menos do ponto de vista do governo americano, não foi atingido”, ponderou o especialista. Pelo contrário: com o regime iraniano atualmente sob controle da Guarda Revolucionária, o país estaria “muito mais propenso a buscar essa arma atômica do que antes”. Para Rudzit, o Irã é hoje um país “muito mais perigoso do que antes”.