A reabertura do Estreito de Ormuz e a queda dos preços do petróleo nesta sexta-feira (17) aumentaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) poderá começar a cortar as taxas de juros já em dezembro, mas as autoridades ainda enfrentam uma perspectiva confusa antes da reunião de política monetária de 28 e 29 de abril.
A reabertura de Ormuz anunciada pelo Irã fez o petróleo ficar abaixo de US$ 90 por barril pela primeira vez em mais de cinco semanas, mas as autoridades do Fed ainda precisarão avaliar os danos que o conflito já na sétima semana causou às tendências subjacentes dos preços.
Após o anúncio de um cessar-fogo entre Israel e o Líbano de 10 dias que passou a vigorar na quinta-feira (16), o Irã disse nesta sexta (17) que reabrirá o Estreito para navegação de navios comerciais enquanto durar o cessar-fogo com os EUA.
Os negociadores de contratos vinculados às taxas de juros do Fed passaram a prever uma retomada dos cortes nas taxas no final deste ano.
Em uma entrevista recente à Reuters, a governadora do Fed de San Francisco, Mary Daly, observou como a evolução da guerra e a possível reação dos preços do petróleo se as hostilidades diminuírem podem influenciar a confiança do Fed de que a inflação começará a diminuir em relação aos níveis atuais, cerca de um ponto percentual acima da meta do BC norte-americano.
“Desde que o conflito seja resolvido em breve, estaremos em uma situação em que o processo será mais demorado, mas não impedirá o progresso” da inflação, apontou Daly. “Apenas leva mais tempo para que tudo isso seja resolvido”, concluiu.
A agência de notícias estatal Fars informou nesta sexta-feira (17) que caso os Estados Unidos mantenham o bloqueio naval aos portos do Irã, o regime iraniano considerará isso uma violação do cessar-fogo e fechará o Estreito de Ormuz. Citando uma “fonte bem informada próxima ao Conselho Supremo de Segurança Nacional”, a Fars relatou que a reabertura do estreito “depende do cumprimento de certas condições e do cessar-fogo no Líbano”.