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O anúncio nesta terça-feira, 12, da exclusão do Brasil dos países autorizados a exportar carnes e animais para a União Europeia por não se enquadrar nas regras de controle do uso excessivo de antimicrobianos na pecuária faz parte de um movimento do bloco para combater um problema que é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “uma das principais ameaças globais à saúde pública”: a resistência antimicrobiana. A medida deve valer a partir de 3 de setembro.

Desde 2017, a União Europeia tem avançado nos esforços para reduzir o uso indiscriminado de antibióticos como forma de encaixar suas ações no conceito de “One Health”, também conhecido como “Saúde Única” ou “Uma Só Saúde”, que inclui animais e o ambiente em ações voltadas à preservação da saúde de forma completa.

Isso porque o uso sem necessidade de medicamentos antimicrobianos faz com que os remédios percam a ação diante de fungos, bactérias e demais microrganismos, porque eles sofrem mutações, tornando o combate a doenças mais difícil.

“A resistência antimicrobiana representa uma ameaça à saúde humana e animal, bem como ao meio ambiente, uma vez que microrganismos como bactérias se disseminam em todos os setores. Portanto, essa questão precisa ser abordada com uma ação integrada de múltiplos setores”, disse a Comissão Europeia em um material informativo sobre as medidas adotadas pela União Europeia.

Impactos da resistência antimicrobiana

Segundo estimativas da OMS, a resistência antimicrobiana é responsável por 1,27 milhão de mortes globais por ano e contribui para outras 4,95 milhões.

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Os óbitos ocorrem porque, quando o organismo não responde aos antibióticos e demais antimicrobianos, infecções se tornam mais graves e “impossíveis de tratar”, de acordo com a entidade.

Um dos exemplos apresentados pela OMS é o da bactéria Escherichia coli, mais conhecida como E. coli. Um relatório do Sistema Global de Vigilância da Resistência e Uso de Antimicrobianos mostra que um em cada cinco casos de infecções no trato urinário causadas pela bactéria têm resposta reduzida aos antibióticos padrão para o tratamento, como a ampicilina.

Outra preocupação diz respeito aos impactos econômicos, considerando os gastos com internação e que, em animais e plantas, a resistência antimicrobiana reduz a produtividade das fazendas e ameaça a segurança alimentar, segundo a OMS.

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“Globalmente, a resistência antimicrobiana poderá resultar em custos adicionais de saúde no valor de US$ 1 trilhão por ano até 2050 e perdas de US$ 1 trilhão a 3,4 trilhões no produto interno bruto por ano até 2030”, diz a Comissão Europeia.

Ministério da Agricultura fala em ‘surpresa’

Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária afirmou que “recebeu, com surpresa, a notícia da retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal” e que vai tomar “todas as medidas necessárias para reverter essa decisão”.



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