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Entre seus novos projetos estão os filmes Rio de Sangue e Garota, além da continuação da novela Beleza Fatal, do streaming HBO Max. O que essas novas personagens femininas dizem sobre você hoje? Elas revelam um outro tipo de força. Em Rio de Sangue, a policial não é heroína, mas uma mulher atravessada pelo erro, pela culpa e pela sobrevivência. Já a Elvira, de Beleza Fatal, carrega camadas e tensão num universo que ainda tem muito a ser explorado. E em Garota surge uma mulher em transição, lidando com mudanças profundas e reinvenção. Hoje, me interesso menos pelo controle e mais pela vulnerabilidade como potência das personagens.
Suas personagens sempre foram mulheres fortes. O que mudou nesse conceito desde o início de sua carreira? Mudou tudo. Antes, a força vinha do domínio. Agora, vem da resistência. São mulheres que não querem agradar nem ser admiradas, mas sim sobreviver, se reconstruir, não desmoronar. Quando o controle desaparece, aparece algo mais verdadeiro: o instinto, o limite, a emoção crua.
De atriz a empresária, como nasce esse seu movimento de empoderar outras mulheres em eventos como o ELAS (encontro de imersão focado em empreendedorismo e empoderamento feminino)? Nasce da escuta. Percebi um padrão em mulheres potentes, mas travadas, esperando o momento ideal. O ELAS surge justamente para provocar essa virada — sair da dúvida para a ação. O maior desejo delas é comum: mulheres querendo retomar o controle da própria vida, se autorizar e ocupar espaço sem se diminuir.
Quando entendeu o alcance de seu impacto sobre as mulheres com personagens como a Jade, de O Clone (2001), até hoje lembrada como referência? Quando elas saíram da tela e foram para a vida real. Jade é um ótimo exemplo: mais que pela estética, ela virou comportamento, identidade, atitude. Ali ficou claro que não era só sobre a roupa ou o acessório, mas sobre a narrativa. O público não queria só o look, queria o que aquela mulher representava. E tenho muito respeito por isso.
Aos 50 anos, recém-completados, como se vê como mulher e atriz capaz de empoderar outras mulheres? Mais livre, mais consciente e sem negociação com o que não faz sentido. Hoje não negocio mais a minha paz. Também não busco auge, mas movimento. E entendo que empoderar outras mulheres passa por um ponto essencial: decisão. O que muda tudo. Protagonismo são escolhas. E quero ajudá-las a escolher autorizar-se, permitir-se, empoderar-se. Parei de tentar provar meu valor.
Publicado em VEJA de 3 de abril de 2026, edição nº 2989