O professor da Universidade Temple, Lucas de Souza Martins, analisou como a guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente a percepção do eleitorado americano, principalmente pelo viés econômico.
Durante entrevista ao Bastidores CNN desta quinta-feira (2), Martins destacou que, embora as pesquisas de opinião indiquem que a principal preocupação dos eleitores seja a questão econômica e não a guerra em si, é justamente o conflito que afeta diretamente a economia.
Segundo o professor, a guerra com o Irã gera impactos inflacionários significativos, algo extremamente sensível para o eleitor norte-americano. “É a guerra que impacta diretamente a questão inflacionária, que é algo tão caro a este eleitor americano”, ressaltou Martins.
Fortalecimento do Irã como legado problemático
Um ponto crucial abordado pelo especialista foi o legado deixado por Donald Trump na região. Mesmo que o ex-presidente americano faça uma eventual retirada de tropas ou declare encerrado seu engajamento com o Irã, os problemas estruturais já foram estabelecidos.
De acordo com Martins, Trump deixou um legado problemático de fortalecimento do Irã, que hoje exerce controle significativo sobre o Estreito de Ormuz.
“Hoje o Irã tem domínio sobre aquela faixa, determina quem entra, quem sai, quem não entra e quem não pode sair”, explicou o professor. Ele acrescenta que “esse fortalecimento já está solidificado, independentemente da presença americana ou não”.
Segundo Martins, o domínio sobre uma rota estratégica para o comércio global de petróleo tem consequências diretas na economia mundial, gerando efeitos inflacionários relacionados a crises de abastecimento.
O professor ressalta que, mesmo com uma eventual saída dos EUA da região, o fortalecimento do Irã como árbitro do abastecimento e da determinação do preço do petróleo permanecerá como um problema significativo para a economia global.