O presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou que vai retirar 5 mil soldados americanos da Alemanha, em meio a um crescente conflito entre o governo republicano, os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e outros parceiros na Europa devido à guerra com o Irã.

O presidente dos EUA pode decidir por conta própria reduzir a presença americana na Alemanha, que já dura décadas?

O que Trump está planejando e por quê?

O Departamento de Defesa dos EUA anunciou seus planos para a retirada das tropas no dia 1º de maio.

Um alto funcionário do Pentágono disse à agência Reuters que Trump estava reagindo à declaração do chanceler alemão Friedrich Merz, na qual ele afirmou que o Irã estava humilhando os EUA na guerra que já durava dois meses e que não entendia qual estratégia de saída Washington estava adotando.

O Pentágono afirmou que a retirada deverá ser concluída nos próximos seis a doze meses. A Alemanha abriga cerca de 35 mil militares americanos da ativa, mais do que qualquer outro país da Europa.

A fonte oficial afirmou que a redução traria os níveis de tropas americanas na Europa de volta a aproximadamente os níveis anteriores a 2022, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia desencadear um aumento de tropas pelo então presidente Joe Biden, um democrata e alvo frequente das críticas de Trump.

O que diz a lei?

O presidente dos EUA, como comandante-em-chefe, tem amplo poder sobre as forças armadas. No entanto, o Congresso controla o orçamento militar e, portanto, pode definir suas próprias prioridades.

Alarmados pelas críticas de Trump à Otan, parlamentares de ambos os partidos apoiaram no ano passado uma disposição da Lei de NDAA (Autorização de Defesa Nacional), que impede que o número de tropas na Europa caia abaixo de 76 mil. Trump sancionou a medida em dezembro.

No entanto, o governo tem alguma margem de manobra. A disposição da NDAA permite que o presidente reduza o número de tropas para menos de 76 mil, desde que certifique que consultou os aliados da Otan e forneça avaliações independentes sobre como isso afetaria a segurança dos EUA, a aliança e a dissuasão da agressão russa.

“Há muita flexibilidade nisso. Existem maneiras pelas quais você pode ver o governo Trump movimentando tropas dentro dessas restrições”, disse Scott Anderson, pesquisador sênior em estudos de governança na Brookings Institution.

No final do ano passado, havia cerca de 85 mil soldados americanos na Europa, o que significa que Trump poderia retirar até 9 mil antes de atingir o limite de 76 mil.

Como o Congresso está respondendo?

Democratas da oposição se manifestaram contra a retirada das tropas. O deputado Adam Smith, principal democrata na Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes, afirmou que a medida “não se baseia em nenhuma política, estratégia ou mesmo análise coerente de segurança nacional dos EUA” e encorajaria a Rússia.

Alguns dos colegas republicanos de Trump também reagiram. O senador Roger Wicker e o deputado Mike Rogers, que presidem comissões que supervisionam as forças armadas, disseram estar “muito preocupados” e sugeriram que as tropas fossem deslocadas mais para o leste, e não para fora da Europa.

“Reduzir prematuramente a presença militar americana na Europa corre o risco de minar a dissuasão e enviar um sinal errado a Vladimir Putin”, afirmaram em comunicado conjunto.

O Congresso tem poder de barganha. Trump anunciou seus planos de reduzir o número de tropas logo após seu governo pedir aos legisladores que aprovassem um enorme aumento no orçamento militar, de cerca de US$ 1 trilhão para US$ 1,5 trilhão neste ano.

O Pentágono também deve solicitar em breve ao Congresso mais US$ 80 a US$ 200 bilhões para financiar a guerra com o Irã, iniciada por Trump ao lado de Israel em 28 de fevereiro.

“Ter um Congresso muito irritado, em particular irritando as comissões de serviços armados em ambas as casas, não é o caminho para conseguir o que se deseja em matéria de defesa”, disse Kristine Berzina, pesquisadora sênior do German Marshall Fund.

“O Congresso deixou bem claro que esta é uma prioridade, e uma prioridade bipartidária”, disse Berzina.

Trump tem sido um crítico ferrenho dos aliados dos EUA na Europa, acusando-os de dependerem demais do dinheiro dos contribuintes americanos para sua defesa, em vez de investirem em suas próprias forças armadas. Ironicamente, a Alemanha é um dos países que mais aumentou seus gastos militares.

Em 2020, perto do fim do primeiro mandato como presidente, o governo Trump anunciou que retiraria cerca de 12 mil dos 36 mil soldados que então estacionados na Alemanha, em consequência da longa disputa entre Trump e Berlim sobre gastos militares.

No entanto, Trump perdeu a eleição naquele ano e o plano nunca foi executado.

Desta vez, Trump tem quase mais três anos na Casa Branca e insinuou que mais retiradas de tropas da Europa podem estar a caminho.

Na semana passada, ele disse “provavelmente” quando questionado se consideraria retirar as tropas americanas da Itália e da Espanha, dois outros aliados cujos líderes não apoiaram a guerra com o Irã.



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