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O americano John Mearsheimer, uma das mais influentes mentes na área de análise geopolítica, expoente da ciência política e professor da Universidade de Chicago, tornou-se improvável voz viral nas redes sociais nos últimos dias, após uma análise polêmica sobre a guerra em curso no Oriente Médio e as ações militares dos Estados Unidos e Israel na região.
Em entrevista ao podcast Judging Freedom, apresentado pelo juiz americano Andrew Napolitano, o acadêmico mais conhecido como o pai da teoria neorrealista das Relações Internacionais afirmou que, se um tribunal nos moldes de Nuremberg fosse realizado hoje, o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu poderiam ser executados por supostos crimes de guerra.
“Se houvesse julgamentos como os de Nuremberg, onde israelenses e americanos fossem levados a tribunal, o presidente Trump, juntamente com o Netanyahu e muitos de seus assessores, seriam enforcados”, disse ele no episódio publicado na última terça 31.
Professor John Mearsheimer : “if there were Nuremberg trials right where the Israelis and the Americans were brought before the court, President Trump along with President Netanyahu and many of their advisors would be hanged” pic.twitter.com/EBwgCtDZtj
— Christopher Leonard (@ChrisLeonardATL) March 31, 2026
Os Julgamentos de Nuremberg foram uma série de tribunais militares realizados entre 1945 e 1946, na Alemanha, pelas potências aliadas (Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética e França) para julgar 24 dos principais líderes nazistas por crimes de guerra, crimes contra a paz e crimes contra a humanidade, muitos dos quais relacionados ao Holocausto judeu, consolidando o conceito moderno de direito internacional.
Mearsheimer observou que, em Nuremberg, os ex-líderes nazistas alemães foram processados e punidos por genocídio e guerra de agressão. Segundo ele, os Estados Unidos e Israel teriam cometido delitos semelhantes ao realizarem ataques “injustificados” contra o Irã (incluindo um anterior à guerra atual, em junho de 2025) e ações militares contínuas “sem qualquer provocação militar legítima”, que atingiram “instalações de energia e infraestrutura civil”. Vários juristas já indicaram que isso quase certamente configuraria uma violação das Convenções de Genebra.
Ele também afirmou que ambos os países estiveram envolvidos no “assassinato ilegal” de lideranças iranianas. Falando particularmente sobre Israel, afirmou que as forças do país travaram o que descreveu como “uma guerra genocida” na Faixa de Gaza. O governo Netanyahu negou repetidamente ter conduzido um genocídio contra palestinos, acusando o Hamas de usar a população do enclave como escudo humano ao longo do conflito — que começou com ataques terroristas contra comunidades do sul israelense em 7 de outubro de 2023 —, e afirmando que emitiu avisos prévios sobre ataques contra áreas residenciais que abrigavam “infraestrutura terrorista”.
Israel reconheceu que mais de 70 mil pessoas morreram em Gaza durante a guerra, embora não faça distinção entre civis e combatentes na contagem. Estudos independentes e levantamentos da mídia com base em dados parciais das próprias forças israelenses, porém, estimam que a relação tenha sido mais desproporcional, com cerca de 70% a 80% das mortes sendo referentes a palestinos comuns.