
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou, nesta quinta-feira, 26, um novo caso de mpox em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com a atualização, o estado chega a 18 diagnósticos da doença em 2026 — até a manhã de quarta-feira, eram 17.
A maior parte dos registros continua concentrada na capital, Belo Horizonte, mas há notificações também em Formiga, Ribeirão das Neves e Manhuaçu. A nova confirmação reforça que o vírus segue em circulação. Segundo a SES-MG, o perfil dos pacientes é bastante específico: todos são homens, com idades entre 24 e 56 anos.
Na última atualização do Ministério da Saúde, divulgada há duas semanas, o Brasil contabilizava 140 casos confirmados de mpox em 2026. A reportagem solicitou números mais recentes à pasta, mas ainda não houve retorno.
Apesar da circulação do vírus, a avaliação oficial é de que não há, neste momento, um cenário de crise no país.
“Considerando o período de 1º de janeiro a 9 de março, houve uma redução de 48,4% no número de casos em comparação com o ano passado, quando foram registrados 289 casos no mesmo intervalo. Os 140 casos registrados neste ano são, em sua maioria, leves ou moderados, sem óbitos”, informou o Ministério da Saúde.
Como o vírus se espalha hoje
A mpox é uma infecção viral transmitida pelo vírus monkeypox (MPXV), parente do vírus da varíola. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça e — a manifestação mais característica — lesões cutâneas que evoluem para bolhas.
Segundo o infectologista Leonardo Weissmann, Emilio Ribas — hospital especializado em doenças infectocontagiosas e infecções —, o padrão de transmissão nos surtos recentes está bem estabelecido e continua centrado no contato direto. O vírus é transmitido principalmente pelo contato com lesões de pele ou mucosas de pessoas infectadas, além de secreções e objetos contaminados, como roupas de cama e toalhas. A transmissão por via respiratória até pode ocorrer, mas tem papel limitado.
Hoje, a principal forma de disseminação está associada ao contato íntimo. De acordo com Weissmann, a transmissão em contextos sexuais se tornou predominante nos surtos recentes, especialmente entre adultos jovens e homens que fazem sexo com homens (HSH). Ainda assim, ele ressalta que o vírus não se restringe a esse grupo e pode atingir qualquer pessoa.
Alguns perfis, no entanto, estão mais sujeitos ao risco, principalmente por maior exposição — como pessoas com múltiplos parceiros, participação em eventos com contato físico próximo e profissionais de saúde sem proteção adequada.
Prevenção
Em relação à prevenção, a orientação central é evitar o contato direto com lesões suspeitas. Medidas como não compartilhar objetos pessoais, manter a higiene frequente das mãos e buscar avaliação médica diante de sintomas também seguem importantes.
No contexto atual, reduzir o número de parceiros e usar preservativos pode ajudar, embora não elimine totalmente o risco. “A transmissão ocorre principalmente pelo contato pele a pele”, reforça o infectologista. Em situações específicas, como no cuidado de casos suspeitos, o uso de equipamentos de proteção e, eventualmente, a vacinação podem ser recomendados.