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O gol do goleiro Trubin do Benfica contra o Real Madrid foi histórico. Além da improbabilidade da tentativa ser bem sucedida, o tento no último lance da partida deu a vaga ao time português nos playoffs, justamente por conta do saldo de gols. Entre os incontáveis vídeos de torcedores portugueses enlouquecidos com a vitória nesta quarta, 28, chamou a atenção a atitude de José Mourinho, técnico da equipe, logo antes da jogada: foi ele quem pediu ao atleta para ir à área adversária.
Não é jogada inédita, muito menos desconhecida. Na hora do desespero, no “tudo ou nada”, ter um jogador a mais, geralmente, com vantagem em altura no campo adversário é medida quase óbvia. No entanto, são poucas as vezes que o aumento da probabilidade de gol gera mudança no placar, e pode, inclusive, afundar ainda mais o barco.
O goleiro alemão Manuel Neuer lembra bem da desastrosa tentativa de empatar com a Coreia do Sul na última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2018. Sua seleção era a atual campeã e estava sendo derrotada por 1 a 0. Com o resultado, eles estavam sendo consumidos pela infâme ‘praga’ de eliminações precoces depois do título mundial, pedindo por medidas desesperadas. O arqueiro subiu ao ataque, mas em um domínio de bola errado, perdeu a posse e viu os coreanos ampliarem o placar e decretarem o fim da campanha alemã no mundial.

O Benfica de José Mourinho andava em corda bamba parecida nesta Champions. O jogo desta quarta era o último da fase de liga do torneio, e apenas os 24 primeiros colocados teriam uma chance no mata-mata (os oito primeiros com vaga direta, o restante com vaga nos playoffs). O time português tinha 6 pontos, e precisava vencer o Real Madrid, maior vencedor da competição, e ainda garantir vantagens nos critérios de desempate contra adversários no meio da tabela.
Sem dar chance para combinação de resultados, todos os 18 confrontos aconteceram simultaneamente, portanto, caso não fossem constantemente atualizados, os jogadores dentro de campo não sabiam da situação da equipe na tabela.
Nos acréscimos do segundo tempo, o Benfica vencia o confronto por 3 a 2 e ia a 9 pontos e tinha -3 de saldo de gols. No entanto, o Olympique de Marseille, apesar da derrota na mesma tarde, ficava com a última vaga dos playoffs, com o mesmo número de pontos, saldo de gols, mas com mais gols marcados. O time português precisavam de um gol a mais para ‘roubar’ o lugar dos franceses.
Sem saber da necessidade, ou da remota chance de classificação, o goleiro Trubin do Benfica, já enrolava a partida, na famosa cera, afinal, eles saíam com uma vitória diante dos maiores campeões da Europa. Vaiado pela própria torcida, ele repôs a bola em jogo e poucos minutos depois se tornou o herói da noite.
Os 5min de acréscimos indicados pelo árbitro já tinham se excedido quando o meio-campista Aursnes sofreu uma falta pelo lado direito do ataque do time português. Era o último lance da partida, e foi intuitiva a atitude de Mourinho: ele mandou seu goleiro ir ao ataque.

O Real Madrid estava desfalcado por dois jogadores expulsos minutos antes mas certo de que iria aos playoffs. O Benfica sabia que precisava somente de um gol para se classificar, já que as outras partidas da rodada tinham terminado.
E foi histórico. O próprio Aursnes levantou a bola na área para uma cabeçada firme e certeira como de quem sempre marcasse gols. Mas foi de Anatoliy Trubin, o goleiro ucraniano que nunca havia balançado as redes do adversário, que saiu o gol da goleada e da classificação histórica do Benfica. O futebol não se cansa de surpreender, até mesmo o cético Mourinho, que comemorou com o jovem gândula, incrédulo do que tinha acabado de presenciar.

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