Voar até ajuda, mas não é o que vai te fazer acumular milhas aéreas. Hoje, o segredo está na carteira ou no aplicativo do celular.  O valor não está mais na poltrona do avião, mas na fatura do cartão de crédito.

Richard Quest, a icônica voz dos negócios internacionais e da aviação na CNN, resume a frustração dos puristas e a realidade dos novos tempos.

“O jogo mudou com a chegada do acúmulo de milhas por cartões de crédito. De repente, o gasto no cartão se tornou mais importante, em muitos aspectos, do que o próprio voo”, disse o jornalista que, em 2025, registrou 110 voos acumulados. Portanto, mais de dois por semana.

No Brasil para participar da reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), Quest conversou com a CNN Brasil sobre o setor que o fascina.

Para quem acumulava pontos “à moda antiga” após horas dentro de um avião e centenas de metros vencidos nos saguões de aeroportos, a nova realidade parece quase uma trapaça.

Quest reconhece esse sentimento com o tradicional bom humor britânico. “Aqueles de nós que ganham milhas do jeito antigo acham que isso é um pouco de trapaça. Porque nós realmente voamos, e voar deveria te dar mais milhas”, diz.

A financeirização dos programas de fidelidade

Os programas de milhagem deixaram de ser meros apêndices de marketing para se transformarem em áreas com faturamento relevante para as aéreas.

Companhias como a australiana Qantas, citada por Quest, tornaram-se forças financeiras – e não apenas logísticas – em seus mercados domésticos.

“Se você olhar para os programas de milhagem, eles querem que você tenha o cartão de crédito deles. Olhe para a Qantas na Austrália, que é a maior emissora de cartões de crédito do país”.

Esse modelo de negócios tem uma elegância financeira invejável: bancos compram bilhões de milhas das companhias aéreas antecipadamente, no atacado, para distribuí-las como recompensa aos seus clientes.

Para as aéreas, isso significa uma injeção vital de dinheiro imediato e de alta margem de lucro. Para bancos, é uma maneira de atrair, reter e agradar clientes, especialmente aqueles de maior renda que gastam mais no cartão e também voam mais pelos céus.



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