
A Copa do Mundo ainda não começou, mas os primeiros conflitos envolvendo questões comerciais já começam a aparecer. De acordo com informação do jornal L’Equipe, alguns jogadores da seleção da França, liberado por Mbappé, Olise, Dembélé, Cherki e Doué, se incomodaram com a veiculação de um conteúdo publicitário feito para uma casa de apostas, pois não tinham consentimento do que seria exibido.
De acordo com a reportagem, a Federação Francesa programou uma sessão de fotos para os patrocinadores da entidade, e as imagens foram utilizadas por uma casa de apostas, sem o conhecimento dos atletas. “As federações dependem dos patrocínios para financiar suas atividades, mas também precisam construir modelos mais transparentes e equilibrados de utilização da imagem dos atletas. Quando não há alinhamento prévio sobre contrapartidas, exposição e categorias comerciais, conflitos como esse tendem a surgir”, diz Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo.
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O L’Equipe lembra que a exibição do comercial atinge um acordo feito ainda em 2023 entre os atletas e a Federação, quando os atletas manifestaram não concordar com acordos feitos pela entidade com patrocinadores a fim de utilizar suas imagens.
Para Reginaldo Diniz, CEO da Agência End to End, que atende clubes e entidades esportivas, a utilização da imagem de um jogador depende, em regra, de sua autorização expressa e dos limites definidos em contrato. “No caso envolvendo a seleção francesa, independentemente da lei vigente no país, a utilização comercial da imagem de uma pessoa sem autorização gera o dever de indenizar, independentemente da comprovação de prejuízo concreto, pois a própria violação do direito de imagem já configura dano, e ao que parece, não afeta só os atletas que se manifestaram, mas seguramente prejudica o ambiente da seleção na Copa do Mundo”, explica.
Rene Salviano, CEO da Heatmap e especialista em marketing esportivo, lembra que é função das instituições explicarem e sempre relembrarem aos atletas e seus agentes as regras de acordos publicitários que assinam. “Ainda mais no nível de uma confederação, onde os contratos possuem valores altíssimos e projeções internacionais”.
“Assim como vimos no caso de Cristiano Ronaldo e a Coca-Cola, existe uma discussão legítima sobre posicionamento pessoal dos atletas. No entanto, ao aceitar defender uma seleção nacional ou participar de determinada competição, o jogador também aceita um conjunto de regras, parceiros comerciais e contratos que ajudam a financiar aquela operação. Caso não se sinta confortável com essas condições, ele tem o direito de manifestar sua posição ou até mesmo optar por não participar”, complementa Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.