Um novo estudo da FIA Business School, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo, mostra que o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra o Brasil pode afetar 9,5 bilhões de dólares em exportações industriais e reduzir o crescimento do PIB em até 0,6%.

No cenário mais pessimista, o recuo equivale a 76 bilhões de reais em atividade econômica ao longo do ano. As projeções de crescimento para 2026, que antes oscilavam entre 1,2% e 1,7%, foram revisadas para baixo de forma generalizada pelo mercado após o anúncio das tarifas.

“O tarifaço não é apenas uma ação diplomática entre Brasília e Washington. É uma ameaça concreta ao bolso do brasileiro, ou seja, termina nas gondolas dos supermercados”, diz Claudio Felisoni de Angelo, presidente do instituto e professor da FIA Business School.

As medidas do governo de Donald Trump devem ter um impacto de até 38 bilhões de reais no consumo das famílias brasileiras, que totalizou 8,1 trilhões de reais em 2025, representando 64% do PIB. O mercado interno deve absorver entre 40% e 50% do choque do tarifaço nas exportações, padrão histórico observado em episódios anteriores de choques externos sobre a economia brasileira.

A combinação das sobretaxas de 25% — associada a divergências bilaterais envolvendo o Pix, o Judiciário e políticas ambientais — e de 12,5% adicional, motivada por falhas no combate ao trabalho forçado, pode comprometer de forma significativa a atividade econômica em 2026.

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O impacto se transmite pela economia por múltiplos canais: retração nas cadeias produtivas exportadoras, com efeito cascata sobre fornecedores de pequeno e médio porte; pressão cambial que encarece máquinas e insumos importados; e inflação setorial concentrada em alimentos industrializados, bebidas, materiais de construção e transporte — categorias que afetam desproporcionalmente famílias de renda média e baixa.

As medidas ainda não estão em vigor. O período de consulta pública se estende até 6 de julho de 2026, com audiências marcadas para o dia 7 do mesmo mês. A decisão final cabe ao presidente Donald Trump, com prazo até 15 de julho. O governo brasileiro, que classificou o processo como ingerência em assuntos internos, sinalizou resposta proporcional caso as tarifas sejam confirmadas — risco avaliado pelo mercado como capaz de ampliar o impacto inflacionário.

O Brasil é uma economia relativamente fechada — exportações e importações respondem por apenas 18% do PIB —, o que limita o impacto direto das tarifas. No entanto, os efeitos indiretos via câmbio, crédito e confiança tendem a ser mais amplos e duradouros, especialmente em um contexto de juros ainda elevados e famílias altamente endividadas.



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