O Nordeste brasileiro se prepara para mais uma temporada intensa de festas juninas, e os dados de busca por viagens já apontam o crescimento do interesse pelo período. Levantamento da Omio mostra que a procura por passagens para os principais destinos do São João disparou entre abril e maio, com altas de 121% para Caruaru, 68% para Campina Grande e 37% para São Luís.
Segundo Vitor Lalor, o perfil predominante dos viajantes é formado por turistas brasileiros, especialmente moradores das capitais nordestinas que se deslocam para os grandes polos das festividades.
“A gente vê muitos turistas brasileiros, principalmente das capitais do Nordeste, fazendo o trajeto para Caruaru e Campina Grande”, afirmou.
No caso de São Luís, porém, a presença internacional chama atenção. Dados da plataforma indicam que 80% da demanda é doméstica, enquanto 20% já é composta por estrangeiros.
“É uma demanda relevante”, destacou Lalor.
Para o executivo, o apelo das festas juninas está na combinação de elementos culturais que despertam o interesse de visitantes de outros países. “Você tem uma interseção de cultura, música, dança e culinária que atrai o estrangeiro para essas festividades”, explicou.
Nesse contexto, a Omio, marketplace de viagens com forte presença na Europa, atua para ampliar a visibilidade do Brasil no exterior e facilitar a compra de passagens por turistas internacionais.
“Comprar ônibus no Brasil para o estrangeiro não é algo muito simples, há barreiras de língua e de suporte”, observou.
Ao abordar os desafios da infraestrutura de transporte no país, Lalor apontou as dimensões continentais do Brasil e a ausência de uma malha ferroviária de alta velocidade como fatores que dificultam a mobilidade entre regiões.
“Sem ferrovias, principalmente de alta velocidade, transitar no Brasil de norte a sul é uma viagem muito longa”, avaliou.
Por outro lado, ele destacou a qualidade do transporte rodoviário brasileiro em comparação a outros mercados. A estratégia da empresa consiste em integrar viagens aéreas e terrestres, permitindo que o turista percorra longas distâncias de avião e utilize ônibus para chegar a destinos sem aeroportos.
“A gente tem hoje no Brasil quase 300 operadores rodoviários, e a gente entra como forma de facilitar o acesso do turista a esses operadores locais”, explicou.
Sobre os preços das passagens aéreas domésticas, Lalor atribuiu os valores elevados a fatores como custos regulatórios e, principalmente, ao combustível, que representa a maior despesa das companhias aéreas.
“O combustível é o principal custo das companhias aéreas hoje e pesa muito na decisão de uma low cost operar aqui”, afirmou.
Diante desse cenário, ele defendeu o transporte rodoviário como uma alternativa mais acessível e previsível para os viajantes.
“No ônibus você não tem essa variação tão grande por data ou proximidade da viagem. Se você precisa fazer uma viagem com mais urgência, o ônibus é uma excelente opção”, concluiu.