Os preços do café arábica voltaram a recuar na bolsa de Nova York nesta segunda-feira (8), pressionados pelo avanço da colheita brasileira e pelas perspectivas de aumento da oferta global. O contrato futuro do café arábica com vencimento em julho encerrou o pregão em queda de 0,24%, cotado a US$ 2,45 por libra-peso.
Segundo análise da Barchart, o andamento da safra no Brasil continua sendo o principal fator baixista para as cotações. A desvalorização do real frente ao dólar também contribuiu para a pressão sobre os preços ao estimular as exportações dos produtores brasileiros.
De acordo com Leonardo Rossetti, especialista em inteligência de mercado da StoneX, o mercado já vinha acumulando perdas expressivas na última semana. Em Nova York, os contratos do café arábica recuaram 7,6%, atingindo os menores níveis em mais de um ano e meio.
“O principal fator de pressão continua sendo a expectativa de uma safra recorde no Brasil, que deve ampliar significativamente a oferta nas próximas semanas”, afirma Rossetti.
Apesar de ainda apresentar atraso em relação ao ritmo considerado ideal, a colheita brasileira segue avançando. Levantamento da StoneX mostra que os trabalhos no café arábica atingiram 23% da área cultivada até o fim da última semana, ante 16% na semana anterior. No café conilon, o percentual colhido avançou de 33% para 42% no mesmo período.
O cenário de maior oferta também foi reforçado pelas projeções mais recentes do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O órgão estima que a produção brasileira de café na safra 2026/27 alcance 71 milhões de sacas. Embora abaixo da projeção da StoneX, de 75,3 milhões de sacas, o volume ainda representaria um recorde para o país.
No cenário global, o USDA prevê crescimento de 6,4% na produção mundial de café na próxima temporada, o que aumenta a expectativa de abastecimento e reduz a pressão sobre os estoques.
Para as próximas semanas, o mercado deve acompanhar de perto as condições climáticas nas principais regiões produtoras de café arábica do Brasil. Temperaturas próximas de 5°C durante o inverno podem aumentar a volatilidade dos preços. Também seguem no radar os impactos do fenômeno La Niña entre agosto e setembro, período considerado decisivo para a florada da próxima safra.
Cacau
Os contratos futuros do cacau encerraram com avanços impulsionados por preocupações com as condições climáticas na Costa do Marfim e por um movimento de cobertura de posições vendidas por investidores. O contrato com vencimento em julho avançou 1,83% e fechou cotado a US$ 3.831 por tonelada.
Segundo análise da Barchart, relatos de produtores marfinenses indicam que fortes chuvas e ventos atingiram áreas produtoras do país, provocando danos em cacaueiros e destruindo botões florais jovens. A situação gerou preocupações sobre o potencial produtivo da próxima safra e deu suporte aos preços.
Além das questões climáticas, o mercado também foi influenciado pela intensa movimentação dos fundos de investimento. Após semanas de forte pressão baixista, investidores passaram a recomprar contratos para encerrar posições vendidas, movimento conhecido como cobertura de posições vendidas, que contribuiu para a recuperação das cotações.
Apesar da alta desta segunda-feira, o mercado segue atento ao aumento dos estoques globais da commodity. Na última sexta-feira, os preços do cacau haviam recuado para os menores níveis das últimas semanas em Nova York e Londres, pressionados pelo avanço dos estoques certificados.
Os estoques monitorados pela ICE, bolsa de referência para o mercado internacional, alcançaram 2,93 milhões de sacas, o maior patamar em aproximadamente um ano e nove meses. O aumento da disponibilidade física do produto continua sendo um fator de pressão para as cotações e limita movimentos mais expressivos de recuperação.
Açúcar
Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão em baixa na Bolsa de Nova York, mesmo diante da valorização do petróleo, que trouxe algum suporte ao mercado ao longo do dia.
O contrato com vencimento em julho recuou 0,14% e fechou cotado a 14,12 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo análise da Barchart, a alta do petróleo bruto ajudou a sustentar parcialmente os preços do açúcar. Com a valorização da commodity energética, o etanol se torna mais competitivo, aumentando a possibilidade de que usinas direcionem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de biocombustível em vez de açúcar.
Esse movimento tende a reduzir a oferta global do adoçante e, consequentemente, dar suporte às cotações internacionais.
Algodão
Os contratos futuros do algodão encerraram a sessão desta com ganhos moderados na Bolsa de Nova York. O vencimento para julho avançou 0,17% e fechou cotado a 73,39 centavos de dólar por libra-peso.
O mercado encontrou suporte principalmente na fraqueza do dólar norte-americano. Um dólar mais desvalorizado tende a aumentar a competitividade das commodities dos Estados Unidos no mercado internacional, favorecendo a demanda e dando sustentação aos preços do algodão.
Além disso, os preços do petróleo também registraram alta ao longo do pregão, contribuindo para um ambiente mais positivo para as commodities agrícolas.
Suco de Laranja
O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em julho finalizou com valorização de 0,75%, em que o contrato fechou negociado a US$ 1,60 por libra-peso.