Após a troca de ataques entre israelenses e iranianos, uma nova intervenção do presidente americano, Donald Trump, levou à suspensão de novas ofensivas israelenses nesta segunda-feira (08).

Para a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, as discordâncias entre os líderes dos Estados Unidos e Israel revelam uma cisão de natureza tática, mas não ideológica.

Magnotta destacou que Trump chegou a classificar publicamente os últimos ataques como “uma estupidez”, o que, segundo ela, “impõe custos simbólicos também para o lado israelense”.

A analista ressaltou, no entanto, que o desgaste na relação entre os dois países não equivale a uma ruptura: “Nós temos claramente divergências táticas, mas não necessariamente divergências do campo estratégico”.

Preocupações domésticas e de imagem

Segundo Magnotta, Trump está empenhado em conter uma escalada regional e, sobretudo, em evitar desdobramentos negativos no campo econômico e comercial.

“Ele está muito preocupado com os efeitos domésticos que essa crise com o Irã tem provocado para ele num ano de eleições, num ano em que ele precisa obter resultados objetivos”, afirmou a analista.

Ela acrescentou que Trump também zela pela sua própria imagem como negociador, elemento que considera central em sua liderança.

Do lado israelense, Magnotta aponta que fatores domésticos também ajudam a explicar as divergências.

“A gente também tem eleições no horizonte, uma crise de popularidade do primeiro-ministro israelense”, observou.

Para a analista, a tensão entre os dois países tem variado principalmente em relação aos meios e ao timing das ações, e não necessariamente quanto aos objetivos centrais em relação ao Irã.

Vulnerabilidade política e limites da influência americana

A analista avalia que a vulnerabilidade gerada por essa divergência é mais sensível no campo político.

Ao transmitir ao mundo uma imagem de baixa coordenação e cooperação, os dois países correm o risco de levar seus adversários a “testar certos limites”, alertou Magnotta.

Ainda assim, ela considera prematuro falar em uma fissura mais significativa, uma vez que “militarmente os países continuam cooperando tanto do ponto de vista de inteligência quanto do ponto de vista de operação”.

Questionada sobre o fato de Israel ter interrompido os ataques ao Irã após a pressão americana, mas mantido a ofensiva no Líbano, Magnotta afirmou que isso demonstra que os Estados Unidos exercem influência sobre seu aliado, mas “claramente não têm um controle total”.

Segundo ela, Netanyahu opera numa lógica em que está disposto a ceder em alguns temas, mas envia a Washington “a mensagem clara de que não vai necessariamente corroborar uma estratégia militar que coloque os interesses domésticos e interesses de segurança, interesses vitais de Israel em segundo plano”.

“Existe uma disposição em diálogo, mas não existe um espaço para negociação de autonomia”, concluiu Magnotta.



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