O Ministério da Saúde realizou, nesta segunda-feira (8), uma reunião com secretarias estaduais para discutir os desdobramentos da suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.

O encontro tem como objetivo esclarecer o que ocorrerá com os imunizantes já distribuídos e definir os próximos passos do governo federal diante da situação.

Segundo apuração de Julliana Lopes, no Hora H, o Palácio do Planalto já iniciou o monitoramento da repercussão da suspensão. A preocupação central do governo, neste momento, é evitar que o episódio alimente o movimento de queda na cobertura vacinal no país — tendência que já vinha sendo observada antes mesmo da suspensão.

De acordo com Julliana Lopes, dados do próprio Ministério da Saúde indicam que a cobertura vacinal no Brasil vem diminuindo ao longo dos anos. A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário de forma considerável, com questionamentos generalizados sobre imunizantes que levaram muitas famílias a deixar de vacinar crianças e adolescentes.

Pesquisas recentes apontam que 30% da população brasileira não completa a caderneta de vacinação, sendo que a maioria desse público é composta por jovens de até 16 anos. Julliana Lopes destacou ainda que o governo está empenhado em realizar um ajuste na comunicação sobre o tema para evitar consequências mais graves.

“A preocupação é sim para que isso não vire um assunto político”, afirmou, ressaltando que nas redes sociais já circula um debate associando o governo à suspensão do imunizante ou à utilização de uma vacina que não seria eficaz — o que, segundo ela, não corresponde à realidade da situação.

Parceria entre governo federal e São Paulo

Duranto o Hora H, o analista Pedro Venceslau contextualizou a relação entre o governo federal e o estado de São Paulo em torno da vacina. Segundo ele, a vacina contra a dengue — descrita como a primeira do mundo a ser disponibilizada em um sistema público de saúde — é produzida integralmente pelo Instituto Butantan, instituição vinculada ao governo paulista. Foi o Ministério da Saúde que a incorporou ao calendário do SUS, transformando-a em um imunizante de alcance nacional.

Venceslau traçou um paralelo com o período da pandemia, quando o então Palácio do Planalto, sob o comando de Jair Bolsonaro, recusou-se a aceitar a vacina produzida pelo Butantan em parceria com a Sinovac, gerando um embate com o então governo do estado de São Paulo, liderado por João Dória.

No caso atual, essa tensão não se repetiu. “Nesse caso agora, a gente tem então um raro exemplo de parceria entre os dois entes”, afirmou. Alexandre Padilha chegou a mencionar o governo do estado de São Paulo positivamente durante entrevista coletiva sobre o tema.

Politização do debate vacinal

A dimensão política do episódio também foi abordada na análise. Flávio Bolsonaro, mencionado como pré-candidato, passou a se apresentar publicamente como o “Bolsonaro vacinado”, numa tentativa de se diferenciar da postura negacionista associada ao pai durante a pandemia, destacou Thais Herédia.

O movimento ilustra como o tema da vacinação continua perpassando o debate político brasileiro, mesmo quando a suspensão em questão é de caráter temporário.



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