
A Ucrânia recuperou mais de 600 quilômetros quadrados de territórios neste ano, informou o comandante militar Oleksandr Syrskyi nesta segunda-feira, 8. Apenas em maio, Kiev tomou de volta mais de 100 km² de áreas antes ocupadas pelas forças da Rússia, segundo o comunicado divulgado no Telegram. Embora não tenha dado detalhes sobre onde ocorreram os avanços, Syrskyi afirmou que as tropas ucranianas continuam a progredir em partes da linha de frente de 1.200 km.
Syrskyi afirmou que os inimigos seguem tentado assumir o controle de pontos no leste e no sul do país, com embates diários. A situação na linha de frente é, segundo o comandante, “difícil e dinâmica”. Ele também disse que a área ao redor da cidade de Pokrovsk, no leste, foi um dos locais de confrontos mais intensos.
Informações do grupo ucraniano de código aberto DeepState, por trás de um mapa independente dos campos de batalha, mostram Pokrovsk sob controle total da Rússia, que alega ter capturado a cidade em dezembro, há semanas. Oleksandrivka e Huliaipole, no sudeste e sul, também tem sido palco de combates, de acordo com Syrskyi. Apesar da situação em Pokrovsk, análises mostram que Moscou tem enfrentado dificuldades na ofensiva terrestre.
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‘Fraqueza’ russa
Dados recentes da organização independente Black Bird Group, que monitora a guerra, mostram que as forças russas conquistaram apenas 82 km² de território ucraniano em maio, uma queda em comparação aos 94 km² registrados em abril. Na semana passada, o DeepState disse que elas registraram o menor avanço mensal em maio desde outubro de 2023 – 14 quilômetros quadrados –, embora tenha ocorrido um aumento de 37,5% nos ataques de Moscou.
Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), com sede em Washington, a ofensiva aérea da Rússia contra Kiev e outras cidades ucranianas nas últimas semanas teve como objetivo mascarar o ritmo glacial das operações terrestres e o impacto dos bombardeios de longo alcance da Ucrânia contra o país.
“Putin está usando pacotes de ataques massivos contra Kiev em um esforço para quebrar a vontade de lutar da Ucrânia, bem como para disfarçar sua fraqueza”, disse o ISW em análise publicada na última terça-feira, 3.
Ao menos sete pessoas morreram em bombardeios russos a várias regiões da Ucrânia na madrugada de sexta-feira, 5, de acordo com autoridades locais. Mais de 200 drones foram lançados contra o país. A nova onda de ataques ocorre após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pedir uma reunião com o seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, e propor um “cessar-fogo total”.
No X, antigo Twitter, Zelensky afirmou que a ofensiva russa atingiu a fábrica Yagotynske para Crianças, que produzia alimentos infantis. Além disso, ele informou que “armazéns de alimentos e uma agência dos correios na região de Dnipro, uma ambulância em Kherson, um prédio escolar na região de Sumy, infraestrutura portuária na região de Odessa, prédios residenciais comuns e um ambulatório na região de Kharkiv” foram atacados. O líder ucraniano também renovou o apelo aos aliados por ajuda militar.
“Rússia continua sua guerra contra a vida, e todos que nos ajudam estão verdadeiramente se levantando para defendê-la. Cada pacote de apoio com defesa antimíssil, cada acordo conjunto sobre produção de armas, cada passo que o mundo dá em sanções contra a Rússia – tudo isso ajuda a proteger vidas. Agradeço a todos que estão ao lado da Ucrânia! É importante que todos nós unamos esforços para forçar a Rússia a pôr fim à guerra e a avançar em direção à diplomacia”, acrescentou ele.