O ex-presidente da Câmara Municipal de Catanduva, Marquinhos Ferreira (PT), contratou a empresa da cunhada da deputada estadual Beth Sahão (PT-SP). O filho do político, Marcos Aparecido Ferreira Filho, foi assessor do gabinete da parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Marquinhos e Marcos Filho foram presos, alvos da operação Rei do Pix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Militar (PM) na quarta-feira (3/6). A diligência mirou um esquema milionário de desvios de recursos públicos na Câmara de Vereadores de Catanduva. Ao todo, foram cumpridos mais de 50 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão.

Após a operação, Marcos Filho foi exonerado do gabinete de Beth Sahão. Em nota, a deputada disse que “não é sequer citada na investigação” e que “não irá, em hipótese alguma, responder pelos atos de terceiros”.

“O que está em curso é uma tentativa criminosa, levada a cabo por seus adversários corruptos e seus jagunços midiáticos, de buscar associá-la ao caso com base em ilações e inverdades”, afirmou.

Até a última atualização desta reportagem, o site da Câmara de Catanduva estava fora do ar e o telefone não atendia. O Metrópoles não conseguiu localizar a defesa de Marquinhos Ferreira e de Marcos Filho.

Contrato com familiar de deputada

Em fevereiro de 2023, a empresa Aquarela Mídia Produções LTDA, de Ivana Sahão, firmou contrato com a Câmara Municipal de Catanduva para divulgar conteúdo institucional da casa legislativa.

Ivana é casada com o ex-prefeito de Catanduva Felix Sahão Júnior, irmão da deputada estadual Beth Sahão.

O contrato foi firmado no valor de R$ 54 mil por seis meses de serviço. Além do lucro, o montante também inclui eventuais custos com mão de obra, inclusive o empréstimo gratuito de seis televisores e seis players para gerenciamento de conteúdo.

No ano passado, a Segunda Câmara do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) considerou as contas da Câmara de Catanduva de 2023, ano do contrato com a Aquarela Mídia Produções LTDA, irregulares. A denúncia do Ministério Público de Contas paulista aponta que, naquele ano, R$ 5,3 milhões foram gastos por dispensa de licitação, o que representou 78,97% do total das despesas licitáveis e um aumento de 739% em relação ao exercício anterior.





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