Em meio a um processo de regularização no qual o governo cobra dos moradores uma quantia para legalizar a propriedade da terra, a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) adotou preço 280 vezes menor no Caub em comparação com Vicente Pires, mesmo as áreas estando a menos de 15 minutos de distância.

Enquanto em Vicente Pires a Terracap cobra, em média, R$ 850 por metro quadrado na venda direta aos residentes da região, no Caub o metro quadrado foi disponibilizado pelo valor quase irrisório de R$ 3. No caso do Caub, a venda direta da terra ocorreu entre 25 de julho e 25 de setembro de 2025, mas ainda não foi concluída.

Os preços anunciados pela Terracap em Vicente Pires são questionados por moradores da região. O deputado distrital Daniel de Castro (PP) solicitou ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) a suspensão imediata do Edital 04/2026 e apontou “valores extremamente elevados para a realidade econômica de parcela significativa dos ocupantes históricos”.

O prazo dado pela estatal para apresentação das propostas de compra em Vicente Pires encerra em 30 de julho. “Cresce a insegurança jurídica e social entre os moradores, especialmente diante da previsão constante dos próprios editais de que a não adesão à venda direta poderá resultar na perda dos benefícios da regularização e na posterior disponibilização dos imóveis para alienação em procedimentos competitivos”, declarou o parlamentar.

Em nota, a Terracap disse que “o valor dos imóveis foi definido utilizando-se dos mesmos critérios das avaliações dos mais de 30 mil imóveis regularizados pela empresa nos últimos anos”.

Possível prejuízo de R$ 655 milhões

O processo de venda das glebas do Caub I e do Caub II, no Riacho Fundo, tinha preço 50 vezes menor que o anunciado no mercado. O prejuízo do DF pode chegar a R$ 655 milhões.

Enquanto o edital de venda direta publicado pelo ETR estabelece valor de R$ 30 mil por hectare da área rural, ocupantes da região têm anunciado a venda das mesmas terras por até R$ 1,5 milhão o hectare.

Além da valorização da região nos últimos anos, a especulação imobiliária é impulsionada pela expectativa de que o Caub I e o Caub II terão a destinação alterada em breve, possibilitando a construção de prédios habitacionais e de empresas de logística, por exemplo. Esse tipo de empreendimento hoje é proibido por se tratar de uma área rural.

A privatização de 59 glebas com os valores anunciados pela ETR renderá até R$ 14,3 milhões aos cofres públicos. Se os terrenos fossem vendidos de acordo com o valor de mercado, o governo poderia arrecadar R$ 670 milhões.



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