O papa Leão XIV apresentará nesta segunda-feira (25) sua primeira encíclica, documento considerado uma das formas mais importantes de ensinamento da Igreja Católica.

Intitulado “Magnifica Humanitas” (“Magnífica Humanidade”), o texto deve abordar os impactos da inteligência artificial sobre a sociedade, com críticas ao uso da tecnologia em guerras e preocupações sobre direitos dos trabalhadores.

As encíclicas são uma das mais altas formas de ensinamento de um pontífice aos 1,4 bilhão de fiéis da Igreja.

“A primeira encíclica de um papa geralmente delineia suas prioridades, concentrando-se no que ele considera questões sociais e morais sérias para o mundo moderno”, disse John Thavis, correspondente aposentado do Vaticano que cobriu três papados.

Segundo o Vaticano, o texto abordará a “proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial”. O documento foi assinado formalmente pelo pontífice em 15 de maio, no 135º aniversário de uma encíclica do Papa Leão XIII, que pediu melhores salários e condições de trabalho para os operários.

A encíclica será apresentada pelo próprio papa em um evento no Vaticano, uma quebra da tradição, já que normalmente a tarefa fica a cargo de cardeais e porta-vozes da Santa Sé.

Nas últimas semanas, o papa tem intensificado críticas ao uso da inteligência artificial em cenários militares. Em discurso recente em uma universidade europeia, ele citou os conflitos na Ucrânia, Gaza, Líbano e Irã como exemplos de uma “evolução desumana da relação entre guerra e novas tecnologias em uma espiral de aniquilação”.

O pontífice também vem adotando um tom crítico em relação à condução política global. Recentemente, irritou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao condenar a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã.

O evento vai contar com a presença de Chris Olah, cofundador da Anthropic, empresa de inteligência artificial conhecida por defender limites e salvaguardas para o uso militar da tecnologia.

A Anthropic entrou em conflito com o governo Trump, principalmente por insistir em restrições que limitam a forma como seus modelos podem ser usados ​​para fins militares, como o direcionamento autônomo de armas ou a vigilância doméstica.

A nova encíclica sucede o último documento do tipo publicado pelo papa Francisco, em outubro de 2024, no qual os católicos eram orientados a abandonar a “busca desenfreada” por dinheiro e fortalecer a fé diante das desigualdades do sistema econômico global.

(Com informações de Joshua McElwee, da Reuters)



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