O papa Leão XIV discursa durante uma reunião com autoridades, sociedade civil e corpo diplomático no Pavilhão Protocolo da Presidência, em Luanda, no sexto dia de uma viagem apostólica de 11 dias à África, em 18 de abril de 2026 (ALBERTO PIZZOLI/AFP)
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Em sua primeira encíclica, “Magnifica Humanitas”, Papa Leão XIV condena o conceito de “guerra justa”, critica líderes que usam conflitos para desviar atenção e alerta sobre o uso de IA em decisões militares. O documento, elaborado desde sua eleição, também reflete tensões com Donald Trump.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Em sua primeira encíclica, publicada nesta segunda-feira, 25, o papa Leão XIV pediu o abandono do conceito de “guerra justa”, utilizado pelo governo de Donald Trump para justificar suas ações militares.
“Hoje, mais do que nunca, é importante reafirmar o abandono da teoria da guerra justa, invocada com muita frequência para justificar qualquer conflito, sem prejuízo do direito à legítima defesa em seu sentido mais estrito”, escreveu o papa. “O uso da força, da violência e das armas reflete uma pobreza relacional que sempre tem consequências desastrosas para as populações civis.”
A doutrina que a Igreja vem usando desde pelo menos o século V para avaliar conflitos globais afirma que guerras só devem ser travadas em autodefesa, ou seja, se houver uma agressão primeiro. O governo Trump, no entanto, utilizou o conceito teológico para defender a guerra contra o Irã.
O pontífice também expressou preocupação com a possibilidade de líderes mundiais iniciarem guerras para distrair os cidadãos de questões internas. “Não podemos descartar a possibilidade de que alguns líderes possam considerar o conflito armado como uma forma eficaz de desviar a atenção dos problemas internos e uma ferramenta cínica para lidar com as dificuldades”, afirmou.
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Intitulada “Magnifica Humanitas” (“Humanidade magnífica”), a primeira encíclica de Leão XIV aborda a “salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” (IA) e vem sendo elaborada praticamente desde que ele foi eleito pelo conclave e elevado à chefia da Igreja Católica, há pouco mais de um ano. O documento define a posição da Santa Sé em questões sociais.
No texto, o papa afirmou ainda que qualquer uso da IA na guerra “deve estar sujeito às mais rigorosas restrições éticas” e considerou “inaceitável” confiar decisões letais a máquinas.
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Trump x Leão XIV
O documento foi publicado após tensões entre o pontífice e o presidenteTrump, que chegou a dizer que Leão era “fraco” na postura contra o crime, “péssimo” em política externa e suscetível à “esquerda radical”.
O embate entre os dois escalou em abril, quando o ocupante do Salão oval disse que não queria “um papa que critique o presidente dos Estados Unidos por eu estar fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito, com uma vitória arrasadora: reduzir o crime a níveis recordes e criar o maior mercado de ações da história”. O republico também apontou que Leão deveria ser grato a ele por ter conseguido o mais alto posto da Igreja Católica.
“Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano. Infelizmente, Leão é fraco no combate ao crime e fraco em relação a armas nucleares — e isso não me agrada. Também não me agrada o fato de ele se reunir com simpatizantes de (Barack) Obama, como David Axelrod, um perdedor da esquerda, que é um daqueles que queriam que fiéis e membros do clero fossem presos”, escreveu o americano em suas redes sociais.
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Leão, porém, continuou a criticar líderes que manipulam a fé em função do poder: “Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seus próprios ganhos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a imundície”, disparou. Apesar das discordâncias públicas com a Casa Branca, o papa destacou que não tem “a intenção de entrar em um debate” com Trump e que seu real interesse estava em “promover a paz”.
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