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Há exato um ano, o Brasil se despedia de um de seus maiores nomes da fotografia. Reconhecido internacionalmente por transformar imagens em denúncia social e reflexão humanitária, Sebastião Salgado (1944-2025) deixou um legado que atravessa fronteiras e gerações.
Com um olhar marcado pelo preto e branco, Salgado documentou ao longo de décadas temas como pobreza, migração, trabalho e meio ambiente. Seus projetos mais emblemáticos, como Serra Pelada (1986), Êxodos (2000), Gênesis (2013) e Amazônia (2021), ajudaram a consolidar sua reputação como um dos fotógrafos mais importantes do mundo contemporâneo.
Nascido em Aimorés, em Minas Gerais, o fotógrafo iniciou a carreira na economia antes de seguir para a fotografia nos anos 1970. A partir daí, percorreu mais de 100 países registrando conflitos, crises humanitárias e comunidades isoladas, sempre com uma abordagem profundamente humana.
Além da fotografia, Salgado também se destacou pelo trabalho ambiental ao lado da esposa, Lélia Wanick Salgado, 79 anos. Juntos, fundaram o Instituto Terra, projeto de reflorestamento que recuperou áreas degradadas no interior mineiro e se tornou referência em conservação ambiental.
O trabalho de Salgado recebeu reconhecimento de instituições internacionais, exposições em museus ao redor do mundo e homenagens de diferentes governos e organizações culturais. Mesmo após sua morte, suas imagens seguem circulando em mostras, livros e documentários, mantendo viva a discussão sobre desigualdade, natureza e dignidade humana.
Em 2024, o fotógrafo refletiu sobre a carreira ao completar meio século de trabalho com imagens. “Só me falta morrer agora. Tenho 50 anos de carreira e completei 80 anos. Estou mais perto da morte do que de outra coisa. Uma pessoa vive no máximo 90 anos. Então, não estou longe, mas continuo fotografando, continuo trabalhando, continuo fazendo as coisas da mesma forma”, afirmou à época.
Salgado morreu aos 81 anos, em Paris, após enfrentar complicações de saúde relacionadas à malária contraída nos anos 1990, durante uma expedição na Indonésia. Além da esposa, Lélia, o fotojornalista deixou dois filhos: o cineasta Juliano, 52, e o pintor Rodrigo, 45.