As mudanças climáticas podem estar transformando a forma como animais sociais se relacionam e organizam seus grupos. Um estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution mostrou que eventos climáticos extremos alteram o equilíbrio entre cooperação e competição entre macacos-prego de cara branca, afetando inclusive aquilo que os pesquisadores descrevem como as “amizades” e dinâmicas sociais desses animais.

Conduzida por pesquisadores do Max Planck Institute of Animal Behavior, da Universidade de Konstanz e da Universidade da California, Los Angeles (UCLA), a pesquisa acompanhou durante 33 anos 12 grupos vizinhos de macacos-prego selvagens em uma floresta tropical seca da Costa Rica.

Para entender como o clima interfere na vida social dos animais, os cientistas combinaram observações de campo com imagens de satélite que monitoraram mudanças na vegetação e na cobertura florestal ao longo das décadas. Ao todo, foram analisados dados comportamentais de 335 indivíduos.

Em condições consideradas normais, grupos maiores apresentavam mais competição interna por alimento, especialmente frutas. Para compensar esse custo, os macacos ampliavam suas áreas de circulação e ocupavam territórios antes usados por grupos menores, garantindo acesso a mais recursos.

Mas esse equilíbrio mudava durante períodos de estresse climático. Na estação seca, intensificada por eventos como El Niño e La Niña, recursos como água, alimento e sombra passaram a se concentrar em áreas menores. Com isso, os grupos passaram a se encontrar mais frequentemente e a defender territórios de forma mais intensa, aumentando disputas entre vizinhos.

Segundo os pesquisadores, em cenários extremos o benefício tradicional de viver em grupos grandes começa a diminuir. A competição por alimento aumenta e a vantagem numérica deixa de compensar os custos energéticos. Em situações prolongadas, indivíduos podem abandonar seus grupos e estruturas sociais inteiras podem se fragmentar.

Os autores destacam que El Niño e La Niña são ciclos naturais e não consequência direta das mudanças climáticas. No entanto, projeções indicam que o aquecimento global pode tornar esses extremos mais frequentes e intensos, o que, segundo o estudo, pode alterar de forma duradoura a organização social de populações animais no futuro.

Com informações da AAAS e EurekAlert!*



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