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Um número recorde de alpinistas chegou ao topo do Monte Everest na quarta-feira 20, um marco que voltou a expor um problema recorrente na montanha mais alta do mundo: a superlotação perto do cume. Imagens registradas por um escalador e divulgadas pela agência de notícias Reuters mostram uma longa fila de montanhistas avançando lentamente em direção ao topo, em um congestionamento de alto risco na etapa final da subida.

Segundo autoridades nepalesas, 274 pessoas alcançaram o Everest em apenas um dia pela rota da face sul da montanha — o maior número já registrado em uma única data pelo lado do Nepal. O recorde anterior havia sido estabelecido em maio de 2019, quando 223 alpinistas chegaram ao cume.

Localizado entre o Nepal e a região do Tibete, na China, o Everest tem 8.849 metros de altitude e concentra sua principal temporada de escaladas entre meados e o fim de maio, período em que os ventos do inverno diminuem e criam uma curta janela considerada mais segura para a subida.

Segundo a Associação de Operadores de Expedições do Nepal, o número recorde foi impulsionado pela combinação entre boas condições climáticas e o acúmulo de escaladores que aguardavam uma oportunidade favorável para tentar alcançar o topo. A previsão de ventos fortes nos próximos dias também teria levado diversas equipes a antecipar a subida.

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Obstáculos

Neste ano, a temporada ainda enfrentou um obstáculo adicional. Centenas de alpinistas ficaram retidos no acampamento-base depois que um grande bloco de gelo, conhecido como serac, bloqueou parte da rota principal até o cume.

Equipes especializadas trabalharam durante semanas para liberar a passagem, reaberta apenas em 13 de maio. O atraso reduziu o tempo disponível para as expedições e aumentou os receios de concentração excessiva de pessoas na montanha.

Especialistas em montanhismo criticam há anos o elevado número de permissões concedidas pelo Nepal. Apenas neste ano, o país emitiu quase 500 autorizações para escaladores tentarem alcançar o ponto mais alto do planeta.

O principal temor envolve justamente os congestionamentos em áreas de altitude extrema, especialmente na chamada “zona da morte”, faixa próxima ao topo onde a quantidade de oxigênio disponível é insuficiente para o funcionamento normal do organismo.



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