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Um funcionário de alto escalão dos dos Emirados Árabes Unidos afirmou, nesta sexta-feira, 22, que há 50% de chance dos Estados Unidos chegarem a um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz.
Os líderes iranianos “perderam muitas oportunidades nos últimos anos devido a uma tendência a superestimar suas capacidades”, comentou Anwar Gargash, alto conselheiro do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Tamim bin Hamad Al Thani, em Praga, à margem da conferência de segurança Globsec.
“Espero que não comecem novamente desta vez”, acrescentou o funcionário emirati, cujo país, rico em petróleo, abriga instalações militares americanas.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, os Emirados Árabes Unidos foram alvo de cerca de 3.300 drones e mísseis, segundo Gargash, mas apenas 4% deles atingiram seus alvos.
Além de atacar interesses americanos em países vizinhos, a guerra levou o Irã a trancar o nevrálgico Estreito de Ormuz, nesga oceânica de 40 quilômetros por onde, antes da guerra, passavam cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no planeta. Em resposta, Washington impôs seu próprio bloqueio naval contra portos iranianos.
Armas nucleares e Ormuz
A autoridade emirati acredita que Ormuz deveria retornar à sua operação normal e declarou-se contrário a qualquer cessar-fogo que não inclua a sua reabertura.
“Não queremos que as negociações se concentrem apenas em um cessar-fogo e semeiem as sementes de um novo conflito no futuro”, disse ele, enfatizando a importância de tornar a passagem uma “via navegável internacional” novamente, em aparente referência ao projeto do Irã para cobrar um pedágio, estipulado de US$ 2 milhões, por cada embarcação dos países que quiserem transitar por lá.
Além de Ormuz, as negociações com Washington estão centradas no programa nuclear iraniano e em impedir que Teerã adquira armas nucleares, uma questão que, segundo Gargash, era a “segunda ou terceira preocupação” dos Emirados Árabes Unidos, mas “agora é a primeira”.
“Observamos que o Irã é capaz de usar qualquer arma à sua disposição; isso é o que aprendemos com essa guerra”, observou ele.