A Polícia Federal (PF) encerrou uma das principais frentes de investigação sobre contratos públicos no Amapá e decidiu indiciar o empresário Breno Chaves Pinto (foto e destaque), suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP).
O inquérito investiga suspeitas de irregularidades envolvendo obras e contratos ligados ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no estado.
A informação foi publicada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela coluna nesta sexta-feira (22/5).
Segundo investigadores, a apuração identificou sinais de atuação coordenada entre empresários e agentes públicos para influenciar processos internos, direcionar interesses e facilitar liberações relacionadas a contratos federais.
Também foi indiciado o atual superintendente regional do Dnit no Amapá, Marcello Linhares.
Investigadores afirmam que mensagens e documentos obtidos durante a apuração revelaram contatos frequentes entre integrantes do grupo investigado tratando de obras, orçamento e movimentações administrativas consideradas estratégicas.
A investigação começou após suspeitas de favorecimento em licitações ligadas a obras rodoviárias no estado. Auditorias técnicas posteriores apontaram indícios de problemas na execução dos contratos e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o padrão esperado.
Ao longo da apuração, a Polícia Federal passou a monitorar retiradas elevadas de dinheiro em espécie. Em uma das diligências, Breno Chaves Pinto foi acompanhado após deixar uma agência bancária carregando R$ 350 mil sacados em dinheiro vivo.
Relatórios produzidos durante a investigação indicam que os policiais passaram a enxergar possível relação entre os saques e pagamentos ligados a contratos públicos analisados no inquérito.
A PF também apura suspeitas de circulação de recursos por meio de operações destinadas a dificultar o rastreamento financeiro dos valores.
Os investigadores analisam ainda a possível utilização da influência política do empresário em tratativas relacionadas ao Dnit e à destinação de recursos federais no estado.
O relatório final já foi enviado à Justiça Federal. Agora, caberá ao Ministério Público Federal avaliar se apresenta denúncia criminal contra os investigados.
Os crimes investigados incluem suspeitas de corrupção, fraude em licitação, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Até a última atualização desta reportagem, as defesas dos citados não haviam se pronunciado.