O astronauta Donald A. Thomas está no Brasil para uma série de palestras e comentou como analisa o setor espacial atualmente. O ex-funcionário da Nasa saiu da agência em 2007, após ir para o espaço em pelo menos três missões com o ônibus espacial Columbia. A mesma aeronave que explodiu durante retorno à Terra em 2001, matando os sete tripulantes.
“Essas empresas estão trabalhando com a NASA em missões para a Lua e, no futuro, para Marte. Não é apenas competição — é cooperação também”, afirma o astronauta durante entrevista exclusiva à CNN Brasil, sobre o lançamento do foguete Starship.
Thomas, que participou do evento Senior Experience em São Paulo, também acredita que Marte é um sonho possível: “Estamos voltando à Lua e nos preparando para Marte”.
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Confira a entrevista completa
CNN Brasil: O que um “Capcom” faz na NASA?
Donald A. Thomas: O Capcom é uma abreviação de capsule communicator. Desde os primeiros voos espaciais, sempre tivemos um astronauta no centro de controle de missão responsável por se comunicar diretamente com a tripulação no espaço. Eu já trabalhei como Capcom em missões do ônibus espacial, falando com meus colegas em órbita. É um trabalho muito envolvente, você se sente parte da missão.
CNN Brasil: Quais são as diferenças entre suas missões e a Artemis II?
Donald A. Thomas: Todas as minhas missões foram no Space Shuttle. Elas duravam cerca de duas semanas e, em geral, eram voltadas para ciência, muito parecidas com o trabalho feito hoje na ISS (Estação Espacial Internacional). Na estação, por exemplo, como fez Marcos Pontes, os astronautas realizam experimentos científicos para pesquisadores do Brasil e de outros países ocorreram em órbita da Terra, cerca de 300 km acima.
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CNN Brasil: Você sente falta do Space Shuttle?
Donald A. Thomas: Sim, o Space Shuttle foi um programa incrível. Foram 135 missões em 30 anos, com cinco a sete lançamentos por ano e dezenas de astronautas indo ao espaço todos os anos. Sinto falta do Space Shuttle, mas gosto do que estamos fazendo agora. Estamos voltando à Lua e nos preparando para Marte. Essas são missões ainda maiores e mais ambiciosas.
CNN Brasil:Hoje teremos um novo voo da Starship. O que você acha dessa nova corrida espacial privada? Você já entrou nesse mercado? É isso que tornará possível nossa ida a Marte.?
Donald A. Thomas: Hoje existem muitas empresas privadas construindo foguetes, como a SpaceX de Elon Musk e a Blue Origin de Jeff Bezos. Essas empresas estão trabalhando com a NASA em missões para a Lua e, no futuro, para Marte. Não é apenas competição — é cooperação também. Existe alguma competição com a China, que pretende levar astronautas à Lua até 2030. Isso lembra a antiga corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética. Mas acredito que a cooperação seria melhor. A ISS é um exemplo disso, com muitos países trabalhando juntos. Espero que, no futuro, missões a Marte sejam internacionais, representando a Terra, não apenas países individuais.
CNN Brasil: O que faz a Artemis II um marco importante?
Donald A. Thomas: A Artemis II foi uma missão importante porque inspirou uma nova geração a voltar a olhar para a Lua e para o espaço.Quando Neil Armstrong chegou à Lua em 1969, isso me inspirou a me tornar astronauta. A Artemis II fez algo parecido: reacendeu esse entusiasmo no mundo inteiro.Mesmo sendo uma missão semelhante a outras do passado, seu maior impacto foi inspirar novamente as pessoas a olhar para as estrelas.
CNN Brasil: O que o Brasil pode fazer para avançar no programa espacial?
Donald A. Thomas: O Brasil já participou de missões espaciais e teve Marcos Pontes como o primeiro astronauta brasileiro no espaço, o que inspirou muitos jovens. O espaço desperta curiosidade naturalmente — microgravidade, experimentos, o desconhecido. Isso é perfeito para inspirar estudantes. Investir em ciência, matemática e engenharia traz retorno a longo prazo. Eu mesmo fui inspirado pelo espaço quando jovem e isso mudou minha vida. No futuro, jovens do Brasil e da América Latina podem participar de missões à Lua, construir bases lunares ou até ir a Marte em equipes internacionais. O mais importante é inspirar a próxima geração a acreditar que ela pode fazer parte disso.
*Sob supervisão de Thiago Félix